Tuesday, August 22, 2006

"Alterações" by JVC (Jornal de Tondela)



Quando os meus filhos eram putos, para ajudar a matar o tempo e mantê-los ocupados durante as longas viagens de carro, recorri ao mesmo repertório com que também eu tinha já sido entretido, do “indo eu, indo eu, a caminho de Viseu...” ao “alecrim, alecrim aos molhos, por causa de ti...” acabando normalmente com “foi na loja do mestre André, que eu comprei um pifarinho, pfim, pfim, pfim, um pifarinho...”.

Quando os ouvidos já não conseguiam suportar mais a desafinação geral, entrava a lengalenga da camioneta que vinha para baixo e da bicicleta que ia para cima, chocaram, do choque resultou que a camioneta recuou e a bicicleta estacou, saiu o Raimundo motorista para matar o Segismundo ciclista, zás, trás, pás, rapou da espada mas não matou, alto lá senhor policia, eu cá vi tudo e vou contar como se passou, a camioneta vinha para baixo, a bicicleta ia para cima, chocaram, do choque resultou ….

Em desespero de causa, cansado e sedento por algum sossego e silêncio, passávamos para as adivinhas; a minha favorita, já velhinha, era aquela que dita em voz alta soa a “quando é que se abre a porta aberta?”. A resposta é, como toda a gente sabia e sabe: quando a Berta bate à porta.
Convém dizer que, acabada a fase das adivinhas e de outros jogos de alto teor intelectual, começava a fase do estejam quietos meninos, se não param apanham, olhem que eu não torno a avisar... pimba... vêm, eu avisei. Aí, recomeçava o canto, mais agudo e mais desafinado do que antes.

Os tempos, entretanto, mudaram! A evolução tecnológica e a globalização tudo alteraram, a coisa é tão grave que nem as adivinhas escapam. A velhinha adivinha de que falei lá atrás foi, há dias, substituída por uma nova versão; do lado da pergunta passou a “De quem é a culpa se amandarmos a gisberta para o poço?” e do lado da resposta passa a “Culpa? Sei lá! Olhem-me estes! Minha não é! Eu limitei-me, durante alguns dias, a apedrejá-la, a esmurrá-la e atirá-la, ainda viva, para o poço! Mais nada, eu só fiz isto!”.

Durante a campanha de lançamento, que teve farta cobertura mediática, foi mostrado um excerto do vídeo promocional, onde um dos jovens do grupo dos artistas inventores aparece a exibir o seu dedo médio em riste à Senhora Dona Justiça, a qual, a crer nos boatos que por aí circulam, não quis mostrar a cara, por vergonha.

Conhecido que é o nosso bom hábito de copiar tudo o que tem sucesso, aguarda-se, com enorme expectativa, o aparecimento de muitos mais grupos de jovens inventores, também eles dispostos a arriscar a vida dos outros em prol da continuação da extinção de mais princípios da nossa sociedade.

Já que estamos numa de adivinhas e parafraseando o colunista da revista Sábado, Ferreira Fernandes, sabe quem são Lara Webb, Emily Jenkins ou Phill Beer? E Jean Charles de Menezes?

Monday, August 07, 2006

VICTOR MANUEL!

A marca do melão espanhol que comprei esta semana.
Fiquei entre o rir e o chorar com esta amostra de mau gosto!
Coitadinho do Victor Manuel que não tem culpa nenhuma. Cheguei a pensar que o rapazinho tinha desaparecido, mais uma vítima de pedofilia, e que tinham tido a brilhante ideia de usar os melões para divulgar o desaparecimento do coitadinho...

Monday, July 31, 2006

Sunday, July 30, 2006

"S.O.S." (JVC in Jornal de Tondela)



S. O. S.
Senhor Director stop. Suplico confirme suas instruções e coordenadas stop Estou há 3 dias mergulhado no local indicado stop Sem indícios de marcianos com armas atómicas stop Partes meu corpo em perigo stop Alfa pendular em risco de extinção stop Única bomba à vista é uma terráquea stop Pedi Maria interromper lides caseiras e envio de provas stop Repórter indeciso tipo de bomba stop Difícil julgar stop Proa e popa sugerem bomba modelo BB(1) ou RW(2) stop Favor confirmar com base dados marinha Tondela stop Última hora stop Bomba mexeu-se stop Maria vai para dentro stop Esta frase não é para si senhor director stop Movimento das curvas sugerem bomba nova stop Vou segui-la stop Estou a ouvi-lo mal stop Muitas interferências stop Sinal muito fraco bomba muito mais forte stop Contactarei em … bip bip bip bip.

(1)Tabela encrip-tação XPTO = Brigite Bardot
(2) Tabela de en-criptação XPTO = Raquel Welch

Monday, July 03, 2006

"Sustentos" por JVC in Jornal de Tondela (Versão blog)




Não sei se é coisa que aconteça com todos mas eu fico particularmente satisfeito quando revejo antigos colegas dos meus tempos de estudante. A maior parte das vezes já não nos conhecemos uns aos e é só através de terceiras pessoas que conseguimos recordar os fugazes laços que nos ligaram no passado. Do meu tempo de liceu, passado no Porto, contam-se pelos dedos aqueles de quem me recordo; há mais de trinta anos que vim para a capital e, desde então, se vi quatro ou cinco, foi muito.

Quis o acaso que, na passada semana, eu tivesse esbarrado com alguns desses meus antigos companheiros. Em viagem profissional ao norte, tive que ir jantar com uns clientes, a paparoca e a conversa prolongaram-se mais do que o habitual, a excelência da noite convidava a ficar na esplanada daquele restaurante na Foz, o barulho das ondas… enfim, estão a ver o panorama.

Os meus clientes já me tinham deixado, quando dei de caras com um sorriso redondo, bronzeado e bem barbeado, patilhas até aos queixais e o cabelo, preto e penteado para trás, coberto de/com (???) brilhantina. És o Meireles, pá! Estás na mesma, dá cá um abraço! Há quantos anos?, trinta e tal?, meu não mudaste nada. E era verdade, o Meireles, tirando as patilhas e a brilhantina, estava igualzinho!
O que é que estás aqui a fazer, pergunta-me ele, estou em trabalho digo eu, por acaso até já me estava a ir embora, ai isso é que tu não vais, diz ele, isso é que era bom pá, tens que ir beber um copo à minha tasca, ali à frente e aponta com um dedo para o outro lado da marginal; o Rui Lingruinhas foi mesmo agora para lá, lembras-te dele, não lembras?, coço a cabeça … hum, assim de repente não, pá, a sério que não, não te lembras?, espanta-se ele, é aquele gajo, pá, aquele que se amandou do eléctrico em andamento abaixo para fugir ao pica e que ficou com a tromba esculpida no poste dos telefones! Ah, o coreano?, digo eu, sim, sim, esse mesmo, pá, ele ainda agora me ligou a dizer que estava lá e o gajo de certeza que também vai gostar de te ver. Fomos!

Na tasca do Meireles, vendia-se mais whisky do que vinho e além do coreano e de alguns outros clientes estavam espalhadas pela sala para aí uma dúzia de miúdas. Dei um abraço ao coreano, este sim estava diferente, uma barriguinha de fazer inveja a certas grávidas, umas entradas no cabelo a fazer-me inveja a mim, a conversa da praxe e de chofre diz-me: estou reformado.
Estás reformado? Reformado como?, perguntei-lhe eu. Explicou-me que tinha pedido a reforma antecipada da função que exercia num organismo público, tinham-lha concedido e portanto ele está reformado, a receber a reforma mas a trabalhar no mesmo sitio e a receber um salário (não digo que tipo de organismo nem qual porque ele me obrigou a jurar segredo, pela alminha da falecida Zélia). Eu quis saber mais, mas a bexiga dele já não aguentava, ele levantou-se e deixou-me. Foi substituído por uma cabeleira loira que se aproximou e me espetou duas beijocas, sou a Gina; eh pá, Gina, desculpa, mas assim de repente não te reconheci, balbuciei, antes de lhe perguntar: o que é estás aqui a fazer? Trabalho para o Meireles, ele é o meu chulo!
A chegada do coreano, cortou o silêncio instalado e a Gina, já sorridente, pergunta-me: lembras-te do Rui?
Eu olho, embevecido, para o coreano, enlaço-o pela cintura, puxo-o bem para mim, viro-me para a Gina e respondo com orgulho:
Então não lembro! Sou uma das putas que o sustenta!

Friday, June 30, 2006

Monday, June 19, 2006

"Estado de Alma" por JVC (Jornal de Tondela)


É quase meio-dia, hoje é Domingo dia 11 de Junho, acabei de tomar o pequeno-almoço e, desde que me levantei, que ouço uma música desafinada a tocar, algures, ou dentro ou à volta da minha cabeça. A principio pensei que era o fígado, chateado, a fazer queixinhas às autoridades que mandam no meu corpo, protestando contra a quantidade de álcool e tabaco, consumidos na véspera, facto que, aparentemente o deixa com os bofes de fora; só depois, estava eu, cara de abrunho ressacado, a passear de canal em canal, é que percebi a causa.

Na RTP-N, um senhor que eu não conheço, comentava, empolgado, o primeiro discurso do dia de Portugal do novo Presidente da Republica, excelente, essa de não nos resignarmos, consensual, apela ao que nós temos de melhor, nós, os portugueses, somos capazes, já o provámos no passado podemos fazê-lo no futuro, os passarinhos a voar e a chilrear, as meninas a dançar e a cantar, darmos as mãos uns aos outros... Na SIC Noticias, um senhor deputado do partido socialista, de nome Ramalho, a propósito do mesmo tema, dizia, com ar sério e parafraseando um escritor qualquer, que nós somos generosos, bons, honestos, trabalhadores, os passarinhos a voar e a chilrear, as meninas a dançar e a cantar, darmos as mãos uns aos outros... que o nosso problema não é de números, é de alma!

Já tinha o frasco com os sais de frutos na mão, para acudir a uma convulsão gástrica, quando percebi que a música não era consequência dos exageros da véspera mas do som que vinha daquele ecrã; poisei o frasco e, ainda agoniado, desliguei o aparelho.

Fui buscar as duas cartas que recebi das finanças nessa semana e li-as, com muito mais atenção! Por me ter atrasado vinte e quatro horas – um dia – a pagar o meu irs de 2004, recebi um castigo equivalente a 1 (um) por cento do valor total; ou seja, em termos anuais, corresponde a uma taxa de juro de 365%. Nem os melhores clientes da dona branca, ao que me lembro, conseguiam metade desta taxa.

Felizmente os passarinhos estão a voar e a chilrear e as meninas a dançar e a cantar, o que significa que o dinheiro que eu empresto ao fisco, todos os anos, em adiantado e por conta, nos meses de Julho, Setembro e Dezembro, me vai render uma pipa de massa. É só fazer as contas: mesmo que “eles” remunerem o meu empréstimo a um terço da taxa de juro que me cobram, o meu dinheirinho vai render perto de 120% ao ano! Olaré!

Mas como, entretanto, os passarinhos aterraram mudos e as meninas se calaram, isto é, caí na realidade, já sei que vou ver os juros do meu rico dinheirinho pela ponta de um canudo. Esta prepotência deve ter um nome qualquer quando praticada por outrem que não elas, as autoridades. Quanto aos juros que me querem cobrar, vou seguir o conselho do senhor presidente e, podendo, não me vou resignar! O meu problema, causado pelas almas do estado, tem mesmo a ver com os números.

"Ministra que estás à janela com o teu cabelo..." (LOL)


Sunday, June 04, 2006

Ansiedades (por JVC in Jornal de Tondela)





Uma onde de calor vinda lá das Africas no final da semana passada, fez-me sentir saudades dos dias frios, aqueles com temperaturas mínimas de dezasseis e máximas de vinte. Para cúmulo, o ar condicionado do meu carro resolveu pregar-me uma partida e em plena viagem para uma visita às terras de Besteiros, com uma temperatura exterior de trinta e muitos graus, sua excelência resolveu dar uma de deputado, assinou o ponto e baldou-se. Fiquei eu e mais a minha trupe no veículo, muito quentinhos, a destilarmos.

Em situações dessas apetece ir tirando a roupa, mais ou menos como fazem as modelos femininas que posam para a Maxmen, uma revista para homens e que tem como director um cavalheiro que dá pelo nome de Domingos Amaral, apelido igual ao do pai, o meu especial e querido amigo que está à frente da pasta dos negócios estrangeiros. Farto de olhar para os artigos expostos, o jovem Amaral, começou a escrever num órgão de comunicação especializado em temas económicos.

E das duas uma: ou está a querer gozar connosco ou está a querer gozar connosco! Pode ser que haja uma terceira hipótese, a da provocação, via mais eficaz para uma notoriedade mais rápida, mas fico a aguardar mais artigos para saber qual é a dele.

Num artigo datado de Abril, o jovem pedia que alguém lhe explicasse qual o problema de termos um défice de 5% em vez de 3%. Está visto que o paizinho não lhe deve ter explicado que quando uma família, em cada ano que passa, gasta em bens necessários e esbanja em muitos outros que são um luxo, sempre muito mais do que aquilo que ganha, não só acaba por dar com os burrinhos na água como há-de acabar por pôr os ditos burrinhos lá, no fundo, bem debaixo da linha da água (os burrinhos somos nós, contribuintes). Como alguém comentou, para ele tanto faz quando um carro vai a descer e com problemas de travões, ir a 50 como a 120, porque quando chegar à curva espeta-se na mesma!

Mais recentemente, a propósito das posições dos liberais sobre o peso (excessivo) do estado na economia e da (rígida) lei laboral, informou-nos de que as classes médias e baixas nunca irão votar em partidos que defendem estas politicas porque, destinando-se elas a reduzir o estado social de bem-estar, o emprego garantido para a vida e outras mordomias, causam-lhes (às ditas classes) mais ansiedade. Suponho que este maior nível de ansiedade seja por comparação à tranquilidade que o sistema actual lhes provoca. Ainda não tinha topado que as classes médias e baixas andavam nervosas e ansiosas com a perspectiva de perderem algo que não têm, mas como sou míope, o problema é meu com toda a certeza.

Presumo que o importante para as outras classes não mencionadas pelo jovem Amaral, é não abanar a malta, não stressar o indígena, deixar as tetas tal como elas estão, cada um já sabe onde e o que é que mama, vejam lá as ideias destes marmelos liberais! Ainda nos arranjam problemas! Querem tetas? Comprem a Maxmen e vão com ela ao futebol a servir de chapéu.

Thursday, May 25, 2006

"Energias" (JVC in Jornal de Tondela)







Há certas lâmpadas que quando se ligam funcionam como as sirenes dos bombeiros, obrigando-nos a tomar determinadas decisões, com maior ou menor grau de urgência e com diferentes impactos no nosso bem-estar. Uma das mais irritantes é aquela luz redonda e amarela com que os construtores de automóveis nos recordam que os cavalos dos nossos veículos estão com sede e que se quisermos continuar a viagem há que lhes enfiar uns quantos litros de combustível pelo depósito abaixo.

Se eu, quando tenho sede, arrefinfo com umas quantas bejecas pela goela, é justo que os cavalos do meu popó também bebam qualquer coisa; a chatice é que ao comprar-lhes a bebida – combustível em estado liquido – estou a dar de mamar a uma cambada de mamíferos – especialmente a um estado sólido – o que invariavelmente me deixa num estado gasoso. Ainda a semana passada, por razões médicas, mandei analisar o liquido do depósito do meu carro e, sem surpresa, a mistura tinha mais impostos que petróleo.

Durante cerca de uma década e meia o petróleo e a uva mijona vendiam-se quase ao mesmo preço, constando até que, nalguns países, ela, a uva, era mais cara que ele, o petróleo. Como resultado, os produtores de ouro preto não tinham muita motivação para investir no aumento da sua capacidade de oferta e os consumidores não tinham razoes para pressionarem os construtores a investir noutras energias alternativas. De há uns anos para cá a coisa mudou e passámos dos nove para os setenta por barril. Como os produtores já têm o que querem, compete-nos a nós, consumidores, fazermos a nossa parte e pressionarmos, quem de direito, de modo a que sejamos depenados (isso é inevitável) sim, mas bastante mais devagar.

Pelo que tenho lido, já se produzem, nalguns países, veículos movidos a electricidade e também a hidrogénio e que dispensam totalmente produtos derivados do petróleo; só que a tecnologia ainda é cara e os preços de venda desses carros são muito caros quando comparados com o que custa hoje um carro a gasolina ou a gasóleo. Parece que só daqui a mais uns cinco ou dez anos é que será possível produzir, em série e baratos, não sendo certo que tipo de combustível virá a ser o próximo” senhor global”.

Os carros movidos a álcool, solução que o Brasil adoptou há muitos anos e que reforçou nos últimos quatro, estão a também a ganhar muitos adeptos no maior mercado consumidor do mundo, o mercado norte-americano; a General Motors (GM), um dos maiores construtores mundiais, que por sinal está quase falido, já vende carros movidos a álcool/etanol (numa mistura de 85 por cento de etanol e 15 por cento de gasolina) que custam o mesmo que os carros a gasolina. Algumas áreas rurais dos Estados Unidos, que padeciam dos mesmos males que as nossas, estão a enriquecer graças à construção de centenas de pequenas fábricas (destilarias) de etanol, produzido a partir do milho, cuja produção e preço duplicaram. Convém dizer, que muitas destas fábricas pertencem a associações de agricultores.

Para ver se deixo de ser burro com o que gasto para alimentar os cavalos, ando à procura da melhor maneira de importar um carro a GPL. É que o preço por litro ainda é de 0,593 cêntimos.

Tuesday, April 04, 2006

Pork and prune skewers with balsamic glaze

THIS WILL BE DINNER TONIGHT, I HOPE, IF IT COMES OUT AS IT SHOULD.

Monday, April 03, 2006

Diferenças por JVC (Jornal de Tondela)



Há duas semanas, citei uma notícia sobre um miúdo afegão (miúdo sim, só tem quarenta e quatro anos!), Abdul Rahman, que ia, de acordo com a lei deles, ser condenado à morte. Um contrariado juiz local, justificou que iam tratar da saúde ao mano porque este, tendo sido apanhado com uma Bíblia, acabou por confessar a sua conversão ao catolicismo, velha de dezasseis anos. O juiz terá dito que mais valia ter sido apanhada com uma nova de dezasseis, mas as nossas fontes ainda não puderam confirmar a veracidade destas alegadas afirmações.

Diziam as más-línguas que, ao abrigo da nova constituição, recentemente aprovada, as minorias afegãs já tinham alguma protecção; constata-se agora que, na realidade, estão tão desprotegidas face ás tirânicas leis islâmicas quanto o pato português face ao viscoso monstro estatal.

Graças a múltiplos movimentos de solidariedade, ao apelo de vários governos e, ao que consta em círculos por nós frequentados, a rumores de que a esquerda caviar do tele-evangelista, estaria a organizar uma excursão a Cabul para defender estas minorias, o Abdul acabou por ser libertado e enviado, muito secretamente, para a Itália. Alguém terá conseguido convencer o juiz contrariado de que afinal o homem não era lá muito católico da mona, tinha os pirulitos gripados, não estava em condições de ser julgado e o melhor a fazer era soltá-lo.

Enquanto durou esta cena, aos poucos ia caindo a mesquita e o califado! Mas afinal, questionavam os clérigos islâmicos, quem é que manda cá na terra? Se a malta quer limpar o sebo a um gajo por ele ser admirador do JC, limpa e acabou-se! Estamos no nosso pleno direito! Essas modernices não são para o nosso povinho, para se coçarem já lhes chega a nossa sarna. O Adbul, esse cão raivoso, tem mais é que morrer e, mesmo que fuja do país, nós vamos encontrá-lo e vamos reduzir-lhe a temperatura do corpo a zero.

Segundo os jornais e algumas televisões ocidentais, muitos destes minuciosos boletins médicos sobre o estado de saúde, presente e futuro, do católico foram feitos por clérigos moderados.

Moderados? Mas … moderados por comparação com quem e com o quê? Como é que estes jornalistas ocidentais calcularão o grau de moderação de um clérigo islâmico? Tenho andado a matutar no assunto, a ver se consigo encontrar um método de classificação lógico, eficaz e seguro mas por mais voltas que dê à tola, só consigo um:
Quando o clérigo acaba de falar e a entrevista termina, o jornalista pousa o microfone, a caneta ou a câmara, fecha os olhos e conta até dez; não ouvindo estrondo nenhum, olha-se bem de alto a baixo, comprova a inexistência de buracos ou sangue nas roupas, sente a pulsação, respira fundo duas vezes e conclui: estou vivo! Fixe! Este clérigo é moderado!
É claro que este método teria o irritante inconveniente de transformar, por falta de provas, todos os clérigos islâmicos em moderados o que não faz sentido e, por isso, continuo a questionar-me: qual é, para os jornalistas ocidentais, com base nas declarações sobre o Adbul, a diferença entre um clérigo radical e um clérigo moderado?

Sunday, February 26, 2006

"Nós, pelos outros..." por JVC (Jornal de Tondela)



A bem preparada oferta publica de aquisição (OPA) lançada pela Sonae ao grupo da Portugal Telecom (PT) tem animado a bolsa de valores de Lisboa e o bolso de muita gente – de grandes e de pequenos investidores – e tem sido apresentado, pelas autoridades oficiais, como um dos exemplos de que (já ou ainda) existe confiança dos agentes económicos privados na economia portuguesa. A esmagadora maioria dos comentários dos especialistas que eu li, nacionais e estrangeiros, também sustentam essa tese e, por muito que isto custe a alguns, o “mercado” está a dar-lhes razão. A Bloomberg, uma das mais prestigiadas agências de notícias económicas do mundo, que eu leio diariamente desde há anos, também tem feito uma leitura positiva da operação; como é raro eles falarem de nós, confesso que estas últimas semanas me deram um certo gozo.

Gozo que, infelizmente, acabou! E acabou por causa do futebol e da ressaca do último europeu, o tal que suscitou o movimento patriótico das bandeiras, algumas das quais ainda hoje ornamentam os bancos de muitos popós (normalmente o do lugar do morto que é o que lhe dá mais visibilidade).
O artigo, publicado no passado dia 17, tem por título “O futebol português próximo do colapso depois de gastos de EUR 1 Bilião em estádios”. Como o artigo é longo, limito-me a citar algumas das partes que considero mais relevantes:
“ … na preparação para o Euro 2004, as autarquias adjudicaram novos estádios, apostando que eles seriam um impulso para o turismo, durante e depois do evento, por via da transmissão televisiva para 79 milhões de europeus. As receitas hoteleiras acabaram por não subir de 2004 para 2005 de acordo com o Instituto Nacional de Estatística.”; “ …os dez estádios construídos tornaram-se em elefantes brancos. São vítimas da falta de espectadores que não podem pagar os bilhetes por causa da situação económica e do crescente aumento dos custos de manutenção que afectam os proprietários desses clubes…”; “ … cinco equipas desistiram esta época e quatro quintos dos clubes têm salários em atraso. No último fim-de-semana, de acordo com os números oficiais, os nove jogos principais tiveram em conjunto 80,000 espectadores em estádios com capacidade total de 278 mil.”; “… as 18 equipas da primeira divisão em Portugal têm uma capacidade conjunta para 528 mil lugares, ou seja 1 por cada 19 portugueses, enquanto em Espanha, os 20 principais clubes têm 779 mil ou 1 por cada 51 espanhóis.”; “ … dois anos depois de começar a jogar no estádio que custou 61 milhões de euros, o clube de Faro encerrou porque as receitas originadas pela média de 1,000 espectadores não davam para pagar as dividas … o estádio de 30 mil lugares do Beira-Mar e que custou 65 milhões de euros, tem em média cerca de 4 mil espectadores e, de acordo com Felipe, de 60 anos, se o clube não for promovido esta época, será muito, muito mau …”; “ … o União de Leiria teve prejuízos de 1,94 milhões de euros no primeiro semestre de 2005 porque, segundo o porta-voz João Empadinhas, houve um colapso na venda dos bilhetes...”; “ … outros pequenos países optaram por partilhar as despesas; a Bélgica e a Holanda partilharam o campeonato do mundo e o Euro 2008 será jogado na Áustria e na Suiça, com encargos partilhados … dois dos três concorrentes para organizar o campeonato em 2012 estão a concorrer em conjunto …”.

As poucas vozes que, na altura, foram contra a euforia da escolha de Portugal para, sozinho, organizar tal evento viram o tempo, infelizmente, confirmar as suas criticas.
Será que o mesmo também vai acontecer às (agora ainda muitas) vozes contra a Ota e o TGV?

Tuesday, February 14, 2006

"Obviamente" por JVC (Jornal de Tondela)



Aqui à atrasado (*) – expressão que nós, os adeptos do grande fcp, usamos quando nos referimos a um acontecimento que não ocorreu hoje – já não me recordo muito bem quando foi nem onde é que foi, estava nu e sentado a olhar para o meu umbigo, quando reparei que, mais abaixo, do meu corpo sobressaía uma coisa, uma espécie de torneirinha em ponto pequeno; intrigado, estiquei-a, torci-a, fiz-lhe trinta por uma linha, até que finalmente se fez luz no meu pequeno cérebro e eu cheguei, tarde mas cheguei, à conclusão. Do quê, perguntarão? Do óbvio, responderei!

Foi em resultado de uma meditação parecida, segundo fontes próximas que contactei, que o nosso ministro dos negócios estrangeiros redigiu o seu comunicado da passada semana, texto que rapidamente se transformou no bombo da festa para milhares de almas criticas, sendo que a esmagadora maioria não prenuncia um futuro auspicioso ao seu autor.

Segundo o professor, no seu comunicado, obviamente não valia a pena condenar a destruição, levada a cabo por extremistas radicais islâmicos, das embaixadas da Dinamarca e da Noruega (a do Chile não conta porque esses, além de não serem europeus recordam-nos Pinochet, um dos poucos ditadores que não morreu calçado) porque, como toda a gente está, ou devia estar, fartérrima de saber, ele é contra toda a violência e, obviamente, não é preciso andar sempre a lembrá-lo. O que vale a pena relembrar, isso sim, vezes sem conta e ad aeternum, como de resto ele sublinhou no último sábado, são as nossas agressões. Ou sou sonâmbulo e agrido a dormir ou então aquela boca não era para mim. Obviamente!

Como os amigos são para as ocasiões, para nos ampararem em caso de queda ou de gaffe, um senhor deputado, de nome Canas (ó senhor ministro, não se fie nesta cana que não me parece que ela aguente muito peso...) veio encostar-se ao professor e toca a dizer, preto no branco (será que posso escrever isto???), que os cartonistas dinamarqueses e os extremistas radicais islâmicos estavam bem uns para os outros. Obviamente!

Na linha dos ideais atrás expressos e tendo em vista a sã convivência entre todos os povos, o canal de televisão por satélite inglês SKY, a propósito da condenação em tribunal do imã radical Abu Hamza (também conhecido por “capitão gancho” por usar dois ganchos como próteses para as mãos que perdeu na guerra contra os russos), entrevistou um outro imã, amigo do condenado e de nome Hamid Ali, que por sinal até vive em Inglaterra e que não teve qualquer problema em explicar aos espectadores que não senhor, ele e os seus não reconhecem a autoridade das leis inglesas e que sim senhor, eles, os muçulmanos, têm muito mais direito àquela terra do que eles ingleses. Já não me lembro dos argumentos que ele deu em defesa deste suposto direito de propriedade porque entretanto saltou-me a tampa e deixei de conseguir ver e ouvir. Obviamente!
(*) Uso a mesma expressão, no plural e escrita de outra maneira, sempre que passo em frente aos estádios da segunda circular na capital (senhor director: por falta de tempo não pude contactar o senhor ministro da licenciosidade, pelo que agradecia me informasse, com urgência, se corro perigo de vida ao acabar de melindrar tantos milhões de portugueses)

Tuesday, February 07, 2006

DANISH CARTOONS


" If liberty means anything at all it means the right to tell people what they do not want to hear "
(George Orwell)

"Pretextos" por JVC (Jornal de Tondela)




Tendo como desculpa, de mau pagador, a publicação, há meses, num jornaleco dinamarquês, de uma dúzia de desenhos em que se satirizava a violência islâmica, actualmente a face mais visível do Islão, a arruaça extremista muçulmana tomou conta dos noticiários internacionais, através de vários eventos culturais, desde simples manifestações em várias cidades da Europa (nomeadamente em Bruxelas e em Londres) a espectáculos mais sofisticados, coloridos e barulhentos, como queima de bandeiras e assaltos a embaixadas. Um dos espectáculos que deu mais alarido teve como palco embaixadas de dois países europeus e ocorreu na Síria, pais que vive numa ditadura monárquica e policial há décadas; este facto, o tipo de regime vigente, demonstra, sem qualquer margem para dúvidas, que este espectáculo, não autorizado no direito internacional, foi levado à cena com a conivência das autoridades locais. Na manifestação que ocorreu em Londres e que foi transmitida pela televisão para todo o mundo, centenas de artistas, muitos dos quais devidamente encapuzados, empunhavam cartazes em que se pedia ao público a sua participação, cortando umas cabeças aqui, massacrando uns cartonistas acolá ou linchando uns quantos blasfemos um pouco por todo o lado.

Alguns críticos ocidentais, os mais distraídos e menos inteligentes, julgaram detectar nesse conjunto de espectáculos uma intromissão inadmissível dos seus autores na nossa cultura mas a nossa inteligência, europeia, bem instalada nos salões governamentais, da imprensa e da esquerda caviar e radical, com o seu silencio, repôs as coisas no seu sitio, isto é, no pasa nada! E se algo se passou ou está a passar, é a crescente disparidade entre o que sente a maioria das pessoas europeias e os seus lideres, fruto da ânsia que os inteligentes têm em dar voz a toda e qualquer corrente de opinião, por mais minorca e estapafúrdia, que enxovalhe os símbolos da (nossa) cultura ocidental ao mesmo tempo que desculpa e justifica os crimes de meia dúzia de afilhados, ainda que bastardos.

Como li algures, neste principio do século vinte e um, subjugado pela mediatização da nossa vida ou da nossa vida subjugada pela mediatização, as elites, infestadas por complexados, dos pós colonialistas aos dos fracassados do marxismo, decidiram dividir o mundo em bons e maus; os bons são todas as raças que não são brancas, todas as culturas desde que não sejam a nossa (a ocidental), os não ricos e os que não têm qualquer poder; os maus são todos os outros, os ricos, os poderosos e a cultura ocidental.

Assim, tudo o que um mau faz, é sempre mau; e se o que o mau faz não é mau e por isso é bom, então é porque o faz com segundas intenções, para vigarizar o bom e o tempo se encarregará de demonstrar esta evidência, porque o mau é mesmo assim, é mau! Pelo contrário, tudo o que o bom faz, é sempre bom; a não ser, claro, que o que o bom faz seja mau e, nesse caso, a maldade resulta – só pode – de uma reacção compreensível face aos abusos que sofreu às mãos de gerações de maus (de trisavôs a netos) ou a trivialidades muito especificas da cultura do bom, como por exemplo, não dar quaisquer direitos às mulheres.

Nesta linha de pensamento, o bloquista Daniel Oliveira, disse na SIC que o enorme abaixo-assinado de protesto feito pelos católicos aquando da publicação no semanário Expresso de um desenho do Papa com um preservativo no nariz é igualzinho ao queimar das bandeiras da Dinamarca. Claro, só pode!

Friday, January 27, 2006

"O Emplastro" por JVC (Jornal de Tondela)




Fui destacado para, em representação de vários órgãos de comunicação social, fazer a cobertura da conferência que, se calhar, vai ter lugar na capital do Irão, em data a anunciar e cujo tema é “Você também é parvo e acredita mesmo que houve o holocausto?”. O autor da ideia foi o “emplastro” que é, agora, o presidente da republica lá do sitio. Como sabem (ou deviam saber) o emplastro é um espertíssimo adepto do FCP, como eu, que está sempre a chamar a atenção para a sua pessoa aproveitando as reportagens em directo das televisões. O que já não sabiam (nem deviam) era que ele, o emplastro, farto da pequenez do nosso burgo, botou dentadura nova, partiu em direcção ao Oriente e, tendo olho em terra de ceguinhos, logo foi eleito, não rei mas presidente. Quem tiver dúvidas compare as respectivas fotografias. O mundo deve esta importante descoberta ao meu filho mais velho, moço que anda em ciências políticas, emplastros é o que eles mais estudam.

Não esperava muitas dificuldades na obtenção da autorização de entrada dada a afinidade clubista que me une ao emplastro mas, precavido e português como sou, nunca deixo para amanhã o que tive que fazer anteontem nem recorro ás cunhas e, vai daí, comecei logo a tratar das formalidades para a obtenção dos documentos necessários.

Através do jornal 24 Horas acedi ao número do telefone do organismo que trata desses assuntos e, num instante, tinha a lista completa. Publicidade à parte, digo-vos que é muito mais rápida e fácil a consulta através deste jornal do que pelas listas telefónicas da PT ou mesmo das míticas páginas amarelas. Além de que o jornal é mais leve, não ocupa tanto espaço e, muito mais importante, tem os números actualizados. A única vantagem para a PT é que, com as listas e como prémio, ela dá-nos, uma assinatura, paga, para a vida. Aviso já que a frase anterior, embora não tenha asteriscos, como aliás a lei exige, contém informação que pode ser interpretada de uma maneira ou de outra, consoante se é um funcionário da dita empresa, uma ave palmípede vulgarmente designada por pato, um jornalista ou um funcionário de alguma procuradoria perto de si.

Voltando à lista, acho que, afinal, lá vou ter que meter uma cunha porque estou com alguma dificuldade em reunir os requisitos base exigidos pelos iranianos, que me parecem estar quase, quase, no limiar dos abusos dos meus direitos individuais. Na primeira triagem, feita por telefone, quando chegou ao nome dos meus antepassados e lhe atirei com o bisavô Ezequiel, o senhor das barbas e com a bisavó Umbelina, o homem ia-se passando. Ó amigo, diz-me ele num português perfeito, f qualquer coisa, eu não estou aqui para reinar, deixe-se de graças e repita lá os nomes como deve ser. Inventei e menti! O pior vai ser quando o tipo receber a minha fotografia e vir o meu nariz, que alguns teimam em dizer que é adunco, coisa que é absolutamente mentira, isto não tem nada a ver com os genes, é do vento.

Se não receber a autorização até ao próximo mês de Junho, viajo para a Alemanha com a nossa selecção de futebol, o emplastro de certeza que há-de querer ir e aí aproveito e meto a tal cunha. O meu receio, o meu grande pavor, é que, daqui até lá, todos os pacifistas – os nacionais, os europeus, os americanos e os asiáticos – puxem dos seus protestos e mobilização mediática, como fazem contra o fascista do presidente dos “states” e, não percebendo a mensagem de paz e de diálogo subjacente à conferência, comecem a protestar contra este emplastro e então lá se vai o meu passeio e a minha tranquilidade.

Saturday, January 14, 2006

10 JANUARY 1981-2006 JANUARY 10

25 YEARS



o ramo de 24 rosas ( a 25ª era eu...)que o João me deu no nosso
25º aniversário de casamento!

ADOREI!!!!!

Friday, December 30, 2005

"Conso(l)ado" por JVC (Jornal de Tondela)



É véspera de Natal e aqui estou eu, só, sentado em frente à lareira na casa dos meus Pais, o computador nos joelhos a escrever este texto. Ouço vozes lá para os lados da cozinha, misturadas com o som dos tachos, das panelas e dos talheres a baterem qualquer coisa, presumo que estejam a bater os ovos para fazer rabanadas, aqueles doces de pão molhado de que alguém gosta muito.

A chama da lareira de vez em quando vai-se abaixo e eu tenho que chamar o meu Pai para ele por lá mais umas cavacas senão daqui a um bocado fico cheio de frio. Não é maldade minha, antes pelo contrário, é a melhor maneira de o tirar da cozinha e o livrar do trabalho de descascar as batatas para o cozido de logo. Se vissem a alegria dele quando eu o chamo compreenderiam a sua satisfação. A vida é isto mesmo, eu coço as costas dele e ele coça as minhas. Quando depois do almoço fomos obrigados a tirar as cascas às castanhas com que se vai rechear o perú que amanhã vamos comer ao almoço, estranhamente ele recebeu um telefonema de um amigo que durou mais de três quartos de hora e que só acabou quando também se acabaram as castanhas. A mim é que ninguém telefona nestas alturas. Curiosamente, logo a seguir recebeu a visita de um irmão e, como manda a boa educação, lá foram os dois para a sala. Tendo eu recebido a mesma educação, não tive outro remédio e lá fui fazer-lhes companhia o que parece ter provocado algum alvoroço. É claro que ninguém leva em conta o facto de eu, hoje, já ter feito a minha cama, com grave prejuízo da minha futura hérnia que me vai doer por causa desse esforço.

Das vozes que ouço, sobressai a da minha Mãe. Quem é vivo sempre aparece, quem é vivo sempre aparece, ouço-a dizer. Ou me descobriram ou chegou alguma visita. Arrisquei-me e fui lá ver. Não era ninguém; apenas tinha encontrado, na máquina de lavar louça, uma taça de que andava, desesperada, à procura. Esta mulher cansa-me! Tenho quase um quarto de século a menos que ela e já não tenho forças para fazer metade do que ela faz. Desde que se levanta até que se deita, o turbo funciona sempre a todo o gás. Quando, daqui e trinta e tal anos, se lhe acabar a genica, vamos morrer de fome. Nem é bom pensar nisso. Agora que voltou à escola e está a aprender inglês até já dá valor às férias e, como ela diz, que bom que é não ter trabalhos de casa para fazer.

O meu Pai acaba de chegar com mais um braçado de lenha; digo-lhe que parece cansado. Pudera, responde, ainda não parei, mas já disse à tua Mãe que, para o ano, não se faz nada cá em casa e que se encomenda tudo de fora. Querias, penso eu, mas não me atrevo a desenganá-lo!

Parece que vou ter que interromper porque alguém tem que levar o lixo lá fora e, não tarda nada, temos que nos vestir para o jantar. Não é que estejamos nus, mas nesta noite especial, cá em casa os homens vestem-se a rigor, de fato e gravata e as mulheres esmeram-se ainda mais do que o costume. Afinal, a noite da consoada é muito especial e como tal, a Família, porque é dela a noite, deve celebrá-la a preceito...

Tuesday, December 20, 2005

Xmas forever!


Snoozing Santa
Originally uploaded by TheLizardQueen.

I know it's tiring but I LOVE IT!!!!

MERRY CHRISTMAS EVERYBODY!!!

Wednesday, December 07, 2005

"Forget painting, Turner Prize is awarded to an old boatshed"


Simon Starling's winning Shedboadshed

(By Nigel Reynolds, Arts Correspondent of The Telegraph(Filed: 06/12/2005) )

"Evidently nobody told the judges that painting was supposed to be back in fashion.
The Turner Prize, sometimes known as the Emperor's New Clothes Prize, was awarded last night to Simon Starling, a conceptualist whose installations are so odd and difficult to analyse that he is known on the art circuit as "the nutty professor".
His victory may at least do something to promote
the ancient craft of carpentry. Shedboatshed, one of the pieces he entered for the Turner Prize exhibition at Tate Britain, started life as a decrepit boathouse, which he found on the banks of the Rhine in Germany.
He bought and dismantled it, built a boat from some of its planks and loaded the remaining ones into the boat, which he then rowed to Basle in Switzerland, where he was having an exhibition. He dismantled the boat and faithfully rebuilt the boathouse and put it on display. ..."

Tuesday, November 29, 2005

"Desabafos" por JVC (Jornal de Tondela)


Originally uploaded by mariekefotografeert.


Desabafos

Brrrrrrr! Chegou o frio, mais a chuva, os dias estão cada vez mais tristes e pequenos e as árvores, ao som do vento, começaram o seu striptease anual, mostrando-nos, lentamente, os seus corpos, uns mais roliços que outros, num prolongado espectáculo a que vamos assistindo até próximo do final do ano. Nuas, as árvores vão ficar à espera que um novo ano lhes traga as roupas prometidas para a nova estação, mais bonitas e mais coloridas, como convém para nos voltarem a seduzir até que a natureza se canse e recomece tudo de novo. As ruas e os jardins agradecem as mantas de folhas com que as vestem para se aquecerem do frio e se protegerem da chuva, dos nossos pés ou, quem sabe, dos presentes que lhes dão os animais que, pela trela, passeiam os seus donos.

Neste jogo de equilíbrios que é o Mundo e para que ele se não vire, há sempre quem prefira esta época do ano, escura, fria e húmida, enquanto para outros ela é um calvário que se vai cumprindo a custo, na esperança ou na certeza, de que melhores dias virão.

Eu sou membro do clube dos apreciadores dos dias compridos e quentes. Inscrito há algum tempo nesta agremiação, renovo, com mais convicção a cada ano que passa, a minha quota, cumprindo religiosamente um dos principais rituais, a enumeração de propósitos prometidos e não cumpridos, antes eu não sabia bem como era, agora sim, vais ver, é só voltarem esses dias e, ai vais ver vais, podes apostar, podem apostar.

Nesta altura do ano, o frio vence-me tão facilmente e com tanta arrogância como os clubes que o Mourinho treina limpam os seus oponentes. É tiro e queda. Todas as manhãs é um gozo, para o frio, ver-me sair do quentinho da cama, soprar-me para os pés e atirar-me com água fria para as mãos e para a cara. As roupas que tiro do frigorífico esfregam-se-me no corpo com requintes de malvadez e, por muito que eu resista, insistem em ficar coladinhas. Quando penso que, finalmente, o pouco calor do meu corpo as aqueceu, descubro que há sempre uma parte do tecido das pernas das calças que ainda não me tinha dado os bons dias e, pimba, lá vem mais um arrepio. E quanto mais me arrepio mais frio tenho. A solução é andar esticadinho e muito direito como se tivesse engolido uma vassoura e tentar evitar esses indesejáveis contactos. Ah, como eu percebo o candidato Cavaco!

Quando não uso gravata e ando com o colarinho desapertado, o desavergonhado do frio enrola-se-me ao pescoço enquanto escorrega para dentro da camisa; curvo as costas e encolho os ombros, enterro a cabeça nas omoplatas, o queixo no colarinho e vou respirando ar quente em direcção ao umbigo. Cansado de frio, acabo por me sentar. A próxima vez que comprar calças, mando fazer as bainhas muito mais compridas, porque sentado direito não dá. As calças sobem para meio da canela e as meias são presa fácil para o malvado. Sobe pela perna e só não vai até aonde quer porque as minhas mãos já estão bem entaladas, mas quentinhas, entre as pernas. Ao fim de algum tempo começam a doer-me as costas, tenho que encontrar outra posição e a luta recomeça.
Quem me cá dera o calor!

Thursday, November 10, 2005

"Não empurrem, se faz favor!" por JVC (Jornal de Tondela)


1664
Originally uploaded by phil h.



“Orienta-me aí uns trocos, ó meu e empresta-me aí o telemóvel para mandar uma mensagem!”
Esta foi a frase que Angelo, nome fictício, um jovem português de origem africana, para aí uns catorze anos mal medidos, um metro e sessenta mais coisa menos coisa, usou naquele fim de tarde primaveril, para assaltar Ricardo, nome verdadeiro, dezoito louros anos bem medidos, um metro e noventa, mais ou menos. Na dança que se seguiu, Ricardo, obviamente curvado, mantinha Angelo à distância, a mão esquerda segurando-lhe a cabeça como se fosse uma bola de basquete, tentava que o puto se deixasse de tretas e se fosse embora; apesar de procurar acertar no corpo de Ricardo com os punhos, Angelo não conseguia aproximar-se dele. Ricardo, a duas centenas de metros da estação dos comboios, que estava à vista, já farto do pas de deux, disse ao miúdo: já estou atrasado, vou virar-te as costas e vou apanhar o comboio; se me chateares, dou-te uma sova! O miúdo, sempre a provocar, lá acabou por se ir embora.

Ricardo está habituado a este género de diálogos, desde os dez anos que convive, diariamente, com esta realidade, já “orientou” bastantes trocos, alguma roupa e um par de telemóveis, agora está farto, o corpanzil dá-lhe segurança, excepto quando sacam as facas, como lhe aconteceu este verão, no centro de Cascais, perto da marina. Está ele e estão os amigos.

Angelo, nome fictício, está tão habituado ao medo que a sua prosápia provoca nas suas vitimas que, desta vez, não mediu bem a sua presa; mas para ele, presas há muitas, a polícia nada lhe pode fazer, é assim a lei, se o apanham logo o têm que soltar, provocador e sarcástico, quantas mais vezes melhor, são mais umas façanhas para contar aos amigos.

Angelo é o retrato robot de uma certa juventude que a imprensa teima em proteger, como agora se vê com o que se passa em França. Para a imprensa, sempre politicamente correcta, como é a nossa RTP1, eles são jovens que se sentem marginalizados, discriminados, encafuados em guetos e tratados de maneira diferente por causa da cor da pele.

Para o Ricardo, para os amigos dele e para as vitimas destes incompreendidos, esta rapaziada, a que por cá anda e aquela que começou a Intifada em Paris, não é nada disso. O Ricardo, os amigos dele e as outras vitimas, já perceberam que é mais cómodo para a sociedade mandante e bem pensante, falar grosso para eles, para as vitimas, do que para os arruaceiros.

O Ricardo cresceu e a geração dele vai, um dia, mandar nos destinos deste país. E doutros países O Ricardo está numa via com dois sentidos. Uma, aquela que nas suas quase duas décadas de vida ele mais tem ouvido, a do diálogo, a da compreensão e do multiculturalismo e a outra, a que privilegia a força e a ordem. Por qual delas optará ele?

Eu, que conheço pessoalmente o Ricardo e os seus amigos, temo que a minha geração, as que me precederam e a que actualmente nos governa, os estejamos a empurrar para a pior das soluções. Os dados estão lançados!

Atenção pais!


Acabou-se o descanso (pelo menos no Reino Unido)!
Para aqueles pais que estavam na sua "fresca ribeira" gozando os poucos anos dos filhos em que não se tem que preocupar com o seu desempenho escolar, digam adeus.
Aparentemente no Reino Unido foi criado um curriculum "escolar" para os bébés dos 0 aos 36 meses. Todos os infantários terão de seguir este curriculum de agora em diante sendo sujeitos avaliações e inspecções regulares.

Citando a notícia:

" The curriculum will divide a baby's development into four broad areas: heads up, lookers and communicators; sitters, standers and explorers; movers, shakers and players; and walkers, talkers and pretenders.

There will be four aspects, each containing a check list of components: a strong child, a skilful communicator, a competent learner and a healthy child.

Competent learners must be able to make patterns, compare, categorise and clasify. They should be able to imitate, play imaginatively with all the senses, make their own symbols and marks and recognise that others might use them differently. "
Não gostaram do termo "competent learners"?
e mais adiante continua:

"...Inspectors will want to see if pupils are meeting the four components of "a healthy child", including being able to express "joy, sadness, frustration and fear, leading to the development of strategies to cope with new, challenging or stressful situations".


Para quando os exames nacionais?

Tuesday, November 08, 2005

França a arder...e o fogo pode alastrar...




Tudo parece tão claro quando dito por Mark Steyn

ou por José Manuel Fernandes:

"Na mesma noite em que dois jovens morreram electrocutados em circunstâncias que permanecem nebulosas (mas de que logo se responsabilizou a polícia), um homem de 50 anos era morto ao pontapé por delinquentes perante a passividade de dezenas de pessoas. O presidente da câmara local entendeu dever acorrer ao funeral dos jovens, mas ignorou o da vítima do banditismo. Este gesto contém uma clara mensagem política que valoriza a suspeição, não provada, sobre um eventual exagero da polícia, e desvaloriza o vandalismo mais bárbaro.

O imenso falhanço da "integração" reside exactamente nestes tipo de equívocos, nesta total confusão de valores. Se se aceita e justifica os que vivem desafiando a lei, acaba-se no caos. E se não se promovem os valores da tolerância e do trabalho, acaba-se na segregação. Pior só acrescentando um clima político inquinado, como aquele que a França vive."


por Pacheco Pereira no seu Abrupto analisando um artigo do jornal Libération:

"...a enorme rede de subsídios e financiamentos estatais típicos do “modelo social europeu”. O artigo cita a crise das acções de alfabetização, financiamentos do Fasild (antigo Fundo de Acção Social), acções de prevenção com adolescentes, programa de empregos-jovem, acções com mulheres, associações subsidiadas (o exemplo é uma intitulada Sable d’Or Mediterranée) que fazem acções de inserção, acolhimento dos recém emigrados, acesso à cultura, teatro de adultos, iniciação ao cinema, vários projectos artísticos e culturais, etc., etc.;

a enorme quantidade de pessoas que trabalha nestes programas, associações, ONGs, que são elas próprias um grupo de pressão para o aumento dos subsídios e o alargamento dos apoios estatais, e que, não é por acaso, aparecem nesta crise como as principais vozes “justificando” a “revolta dos jovens”;

e, por último, o enorme contraste entre o modo europeu de “receber” e integrar os emigrantes envolvendo-os em subsídios e apoios, centrado no estado e no orçamento, hoje naturalmente em crise; e o modo americano que vive acima de tudo do dinamismo da sociedade que lhes dá oportunidades de emprego e ascensão social."

Tudo parece tão claro, os erros foram e continuam a ser muitos, mas enquanto se continuar a tratar os causadores destes distúrbios como vítimas não vai haver saída para o problema e piores dias virão.

Monday, November 07, 2005

Thursday, October 27, 2005

Belos exemplares...

O que já temos....


e
o que nos espera se não
nos pomos a "pau"....




"Bloqueios" por JVC (Jornal de Tondela)


Originally uploaded by Oishi Kuranosuke.



O meu clube, o FCP, levou mais uma trepa monumental no fim de semana, tão grande, que no final do jogo o estádio do dragão mais parecia o santuário de Fátima, cheio de adeptos com lenços brancos, simbolizando talvez a necessidade de um milagre para conseguir umas vitórias ou apenas um instrumento de precaução para proteger a boca e evitar apanhar o vírus da gripe das aves, das águias neste caso. Desde que se recomeçou a falar desta possível gripe eu sabia que o meu clube era um dos mais expostos à epidemia porque o Pinto, que é o presidente, há muito que dava sinais de debilidade física. No mínimo! Naturalmente que o vírus das aves tinha que o apanhar. Bastava um, mas o portador, Maria Alice antes do jogo e Nuno Golos depois, achou por bem duplicar a coisa para o efeito ser mais doloroso. Attchimm ... Santinho! Obrigado.

Esta cena dos lencinhos repetiu-se noutro estádio mas aqui em Lisboa e embora me digam que esta é uma das formas dos adeptos mostrarem o seu desagrado aos treinadores e desejar-lhes uma boa viagem para o diabo que os carregue (não fora a malvada da dita gripe das aves, mandá-los-iam para as patas que os puseram), acho que este gesto colectivo de muitos dos meus compatriotas merece uma análise bem mais profunda e, quem melhor do que eu, especialista nas matérias, quaisquer que elas sejam, para o fazer?

Eu bem que gostava de não vos desapontar, mas a verdade é que são horas de mandar o trabalhinho para o meu patrão e apesar de já estar na vigésima segunda linha do texto continuo sem saber como fazer essa análise. Tenho dois neurónios, mas um está de greve por solidariedade com a justa luta do bicho da fruta e o outro está bloqueado, não sei o que lhe sucedeu hoje, coitado, até parece os nossos camionistas na fronteira com a Espanha. Só que os camionistas, eles sim são coitados, querem fazer o trabalho deles mas há pessoas, interesses e piquetes que não só os não deixam circular como até os ameaçam fisicamente, passando das palavras aos actos. Ao meu neurónio, a ele, não sei quem foi que o bloqueou! Vou precisar da ajuda de especialistas.

Por falar em especialistas na matéria, telefonei a um amigo meu do BE (Bloco de Esquerda) a perguntar-lhe se o chefe deles, o tele-evangelista Fr. Anacleto Louçã, ia alugar um autocarro, como ele e outros amigos dele fizeram há uns anos, para ir à fronteira de Vilar Formoso defender o direito ao trabalho dos nossos camionistas e refilar, marchar, protestar contra o bloqueio dos espanhóis, com as câmaras das nossas televisões atrás para registar prováveis tumultos e, a cereja em cima do bolo, agressões a deputados dum país soberano.

Que não senhor, que não está prevista nenhuma acção de protesto deste género, mas então tu não sabes, perguntou-me ele, quem é que está a patrulhar a fronteira do lado de lá? A Polícia, disse eu. Qual Polícia, qual carapuça, responde ele, são mas é os gajos dos piquetes pá, pois, e com esses a gente não se mete, estás a ver, é que com a bófia, a gente já sabe que se os gajos nos batem meio a medo, a nós não dói nada e depois eles é que se lixam, mas com os piquetes de greve, és maluco, vínhamos de lá feitos num oito e com um valente enxerto de porrada. Ouve lá João, continuou ele, mas tu alguma vez nos viste a protestar contra, quando podemos levar no coco à séria?

Friday, October 21, 2005

Ainda bem que não houve surpresas...

(Cartoon de Bandeira - Diário de Notícias 21-10-05)

E "olhó" nível! Que diferença de outras personagens! Boa sorte para ele e para nós!

Viva Mezzo!!!



Grande programa musical no serão da passada quarta-feira com o documentário sobre a gravação do CD Autour du Blues-Vol.2 só foi pena levar-nos a perder o princípio da habitual Quadratura do Círculo.

Sunday, October 16, 2005

"Que Rio Grande, Santa Bárbara!" por JVC (Jornal de Tondela)




Desde o fim da tarde de ontem que tem chovido com alguma abundância aqui onde moro. Depois de meses sem uma pinga de água, a ribeira que faz fronteira com a minha casa tem finalmente o caudal mínimo para fazer jus ao nome. Os manda chuvas prevêem, para os próximos dias, a continuação de fortes quedas de água acompanhadas de ventos fortes e, como hábito, há zonas deste concelho isaltinado, que vão sofrer as primeiras inundações.

Bem mais grave parece ser a situação no Porto onde, segundo os noticiários, há um enorme Rio, Rui de seu nome, a correr em paralelo com o Douro e a prometer continuar a causar prejuízos avultados nos alicerces de fortificações seculares, supostamente edificadas em terrenos seguros e inexpugnáveis, mas que afinal mostram já belíssimos sinais de erosão.

O técnico de serviço à previsão meteorológica nas eleições autárquicas na SIC (e no Expresso), de seu nome Oliveira e Costa, assegurava na sexta feira passada, sem margem para qualquer dúvida, que este Rio tinha perdido caudal e que, visse eu bem, corria até o risco de ser despromovido a um mero ribeiro, por obra ou milagre do santo de Assis. É o fim, pensei! O homem para estar a falar assim, com tanta convicção, só pode estar certo! Uma seca destas no país inteiro e mais um Rio que se vai. Corri a acender uma velinha mas devo ter-me enganado na reza porque quem me apareceu foi um tal de Pinto da Costa, ainda por cima a amaldiçoar as suas águas. Sete vezes cuspi e dezasseis me benzi, três dentes de alho e um dedo cortei e à espera do juízo final sentado fiquei.

E quando ele chegou, o juízo (a)final, acalmaram-se os ventos e a água deste Rio foi aumentando até se tornar absoluta. E eu descansei.

Consciente que teria de agradecer, logo que me fosse possível, aos deuses, tão grande graça, primeiro fui celebrar a casa do meu amigo Quim, aproveitando comemoração de mais um aniversário dele. No recato do meu lar, muitos cigarros e copos já passados, levo com um raio num sitio que nem vos digo e recebo a seguinte mensagem no telemóvel: “Acaso está a trovejar para tu te lembrares de mim??? Estás a reinar comigo ou estás-te a meter com o meu marido? Olha, sabes que mais, tu para mim vens de carrilho ...!”.

Saturday, October 08, 2005

Thursday, October 06, 2005

"O Fado" por JVC (Jornal de Tondela)



Hoje é domingo, dia de descanso e por isso há que fazer um esforço suplementar para nada fazer. Dá algum trabalho mas vale a pena chegar à noitinha, vestir o pijama em frente ao espelho e antevendo o que será o dia seguinte, essa segunda feira maldita, poder pensar com orgulho e peito feito, missão cumprida! Hoje, mais uma vez, consegui não fazer nada. A única nódoa a manchar este monumental dia de absoluto ripanço é esta crónica mas que apesar de tudo até acaba por realçar o prazer da preguiça.

E bem precisava deste descanso porque ontem fui aos fados e, claro, deitei-me tarde, bem fumado e bastante mal bebido. Mal bebido porque até parece que estava nalgum país sem videiras, tal o preço dos vinhos, tão caros que nem lata tenho para dar um exemplo. Mas já que insistem, fiquem a saber que pelo mesmo preço de um tintol de média qualidade, quase que pagam o almoço de quatro pessoas num restaurante aí da zona de Tondela onde já fui algumas vezes com os avós paternos dos meus filhos.

Felizmente só nos dá para ir a banhos na nossa cultura quando o rei faz anos, caso contrário já tinha tirado um curso acelerado de lavar pratos com letra protestada do meu banco e música do maestro da massa falida. Talvez por isso se explique que bastante mais de metade da clientela era estrangeira.

As vozes eram bastante boas e os músicos dedilhavam bem; um dos cantores, um juiz desembargador reformado, especialista em fados de Coimbra, lá nos pôs todos a cantar, afinal as terras do interior têm mais encantos quando a malta se pira e vai por aí fora, correndo mundo cá dentro. Deu-me a mim, e se calhar o todos os outros, uma nostalgia dos anos em que por lá estudei, mesmo não tendo frequentado nenhum estabelecimento de ensino por aquelas bandas.

Gosto mais do género do fado que o juiz canta, mas o repertório escolhido pelos que cantam o fado alfacinha também não esteve nada mal. As letras partem-nos o coração e versam os temas do costume, o meu amor, que eu amo tanto e que me passou ao lado e fez de conta que eu tinha escarlatina evitando qualquer contacto físico e assim atirando-me para uma cama de um hospital publico em dia de greve dos enfermeiros e doutores e outras coisas do género.


Mas a que mais me tocou mais foi aquela que nos conta a história duma desgraçadinha que andava, sossegadinha, no gamanço para dar de comer aos seus, um boneco nas mãos da justiça ou a justiça nas mãos da boneca, uns a querer mandá-la para o xelindró e os outros a quererem recompensá-la com umas férias prolongadas num pais tropical, abençoado e por Deus e bonito por natureza, por fim obrigada a fugir, uma mão à frente e a outra também, saudades do bacalhau com todos, finalmente o regresso auto imposto, arriscando tudo, conforto, dinheiro, jóias peles, o vergar a Lei, o perdão, os risos, as palmas, as luzes da ribalta, o sucesso, as câmaras!
O lancinante trinar das guitarras realçava o sofrimento vivido pela fadista de negro vestida, feito de esgares faciais, olhos fechados e virados para o céu, puxões bruscos e desesperados das mãos no xaile, qual corpo de um tacho imaginário, que com dolorosa saudade se precisa de segurar, acariciar e embalar.
Fosse o preço do tintol mais em conta e tinha afogado as mágoas. De vez!

Wednesday, September 28, 2005

Thursday, September 22, 2005

Uma razão para votar em Carrilho...

Ainda na cama esticar o braço e ligar o rádio para melhor (ou pior) acordar. Pérola da manhã de hoje:

Uma apoiante de Carrilho explica na Antena 1 o que a leva a apoiar Manuel Maria Carrilho: " ...pois a Barbara é uma mulher da comunicação social e uma mulher por trás de um homem é sempre uma grande mulher..."

Para quê tanto dilema a escolher os próximos autarcas que nos governarão quando tudo é tao simples...

Friday, September 16, 2005

"Alison Lapper Pregnant"



I relate to this critique by Richard Dorment (Telegraph 16-09-05) on the new statue to be on show for the next 18 months (luckily not for ever) in Trafalgar Square:

"...What you see at first sight is all there is to the work of art. It leaves no room for metaphor or allusion - nothing that the viewer can bring from his or her own experience that might enrich or change or deepen the meaning of the work...."

"...There is no possible response to this. It is not Miss Lapper whom Quinn has put on a pedestal in the heart of London, but political correctness. How smug and self-righteous he is. He knows full well that anyone who dares to criticise the statue will instantly be accused of prejudice against the disabled.

But to me it feels as though Quinn exploits people like Miss Lapper by focusing so entirely on her disability. In recent weeks she has been writing movingly about her life in various newspapers. Surely she would rather be known for her work as an artist and a writer than for Quinn's banal sculpture of her body.

Quinn isn't, as the politically correct expression has it, "celebrating difference" - he's advancing his own shoddy career."

Tuesday, September 13, 2005

Camel riding!


Riding a camel!
Originally uploaded by Big Mamma Costa.
The highlight of my trip to Tangier.

Friday, August 26, 2005

João

João
The sweet six year old my friends just adopted, playing
in his new swimming pool.
I wish him and his new parents a very happy life.

New work (2) by me

untitled
116x89 acrylic on canvas

New work (1) by me

untitled
120x120 acrylic on canvas

Monday, July 11, 2005

Us3 -Cool Jazz Fest

Great evening yesterday at Casa da Pesca, Oeiras.
Us3 was playing. Check out their hit theme and video Cantaloop at www.us3.com/video.html
The place is one of the most beautiful places for an outdoor concert on a warm summer's evening like last night's.

"Deep Impact" by JVC (in Jornal de Tondela)



O titulo corresponde ao nome dado a (mais) uma nave da Nasa cujo objectivo é colidir, com o cometa Temple1(*) e, através dos resultados dessa colisão, saber mais sobre a estrutura dos cometas e sobre a criação e a evolução do nosso sistema solar.

A nave, lançada em Janeiro deste ano, ao chegar ao seu destino, vai largar duas outras naves robotizadas, uma chamada Flyby e a outra Impactor, que depois de complexas manobras se vão posicionar para as suas missões. A segunda vai tentar transmitir imagens da sua trajectória suicida em direcção ao núcleo do cometa até ao impacto e a primeira transmitirá as imagens após o impacto.

A colisão não terá efeitos na sua trajectória e uma das grandes expectativas imediatas, quer entre os cientista quer entre o publico em geral, é a de tentar adivinhar qual o tamanho da cratera que vai resultar do choque. Em confronto estão os que acreditam que o cometa é um enorme conjunto de resíduos e que por isso a cratera será insignificante e aqueles que acham que o cometa é extremamente sólido o que significará uma cratera substancial. Eu incluo-me entre os partidários da primeira teoria.

Ao acompanhar os actuais acontecimentos, espaciais e terrenos, internacionais e nacionais, por comparação, aceito também apostas sobre o seguinte: qual o tamanho da cratera que vai resultar da luta contra a teia dos obscenos privilégios que, ao longo das últimas três décadas, uma parte bastante significativa dos nossos concidadãos se entreteve a tecer á nossa volta e que agora ameaça o nosso bem estar e o dos nossos descendentes?

O Impactor representa os que, como eu, entendem que a liberdade de escolha é o motor do desenvolvimento e do progresso; os nossos privilegiados concidadãos serão o cometa e o governo é representado pela nave que vai ficar a tirar fotografias, de longe, aos estilhaços do confronto.

O lançamento da nossa nave ocorreu há poucas semanas, graças ao impulso dado ao projecto por um, até agora corajoso, novo comandante. Dizem alguns que o impulso foi fraquito mas o certo é que deu para levantar poeira e isso, a meu ver, já é alguma coisa. O impacto está previsto para ocorrer algures no próximo outono, ou inverno, que isto de datas rigorosas é coisa complicada.

A crer nos primeiros dados enviados pela nave, parece mais provável que a cratera resultante desta colisão terá dimensões reduzidas; de facto, os testes feitos ás últimas imagens obtidas, tiradas mais de perto, indicam que o núcleo central é composto por uma massa fossilizada, muito compacta e ruidosa.
Não devem estas primeiras impressões desmoralizar as hostes do Impactor que apostam numa grande cratera. Até no espaço, água mole em cometa duro, tanto dá até que fura.

(*) A colisão já terá ocorrido à data de 4 de Julho.

Thursday, July 07, 2005

UK RULES!!!!


NO MATTER WHAT THEY DO, UK RULES!!!

Monday, July 04, 2005

"Capital de Risco" por JVC (in Jornal de Tondela)


Zanguei-me! Comigo mesmo! E em público! Passei-me dos carretos depois de uma azeda e acalorada troca de palavras entre o Eu e o uE e, mesmo à frente de todos os clientes do banco onde tenho conta, fiz, ou melhor, fizemos uma cena que só vista.

Há uns tempos (para aí há uns dez anos, mais ou menos) entreguei ao gerente do balcão (na altura era o senhor Fulano) um pedido muito bem estruturado onde expunha as razões pelas quais achava que eles deviam financiar o meu projecto de investimento. Para não entrar em detalhes técnicos, incompreensíveis para os comuns, direi que era (é) um projecto inovador que consistia (consiste) na construção de uma unidade para fabrico de uns aparelhos, a que eu chamei “Redesenhadores”. Estes aparelhos, fruto da aplicação das mais avançadas e sofisticadas tecnologias actualmente disponíveis na Terra e seus arredores permitem, a quem os vier a possuir, não só recuar no tempo, mas também (e muito mais importante) alterar o rumo de alguns acontecimentos no momento certo e não já fora de prazo. Não de todos os acontecimentos, mas da maior parte.
Imagino-vos a pensar: sucesso garantido! Então e eu não sei? Milhares, acreditem, foram milhares os inquéritos, milhares as horas de estudos complicadíssimos e para quê? Infelizmente, os senhores lá do banco, toscos, não viram o potencial lucro mesmo à frente do nariz.

Há uns dias porém, a coisa mudou completamente. Marcaram-me uma reunião e informaram-me que respondendo ao apelo do senhor Presidente, a administração do banco tinha decidido apoiar o meu projecto de investimento. Apoiar! Sem mais reservas nem demoras!

Ainda mal recomposto da boa noticia, qual não é o meu espanto quando de repente Eu, ou melhor uE, desata aos gritos, completamente fora de mim (ou dele eu já nem sei), vermelho de raiva e de fúria, um chorrilho de impropérios ao gerente e à administração do banco, mas quem é que eles pensavam que eram para andarem a brincar com o dinheiro dos outros, queriam era matar-me, isto é matá-lo, roubá-lo, eu sei lá que mais. Mau demais para descrever. O gerente, o Tal coitado, não sabia para onde se virar nem o que dizer. Os outros clientes do banco pareciam estátuas. Eu, quedo e mudo. Após alguns momentos, lá tentei acalmar os nossos ânimos e ver se nos levava dali para fora; o eU disse que sim mas primeiro precisava de fazer uma coisa. Rapa-me de uma caneta e força-me a escrever a reclamação:

“Exmo Senhor Presidente do Conselho de Administração do Banco,

Venho por este meio lembrar a V. Exa que o dinheiro que o signatário tem depositado neste banco (e deixe-me que lhe diga, pessimamente remunerado a uma taxa de juro miserável que nem dá para cobrir a inflação) não é para ser emprestado a qualquer caramelo maluco que se lembre de lhe apresentar um qualquer projecto de investimento, ainda que daí possam resultar maiores retornos, leia-se lucros, para a instituição que v. Exa tão sabiamente soube gerir ... até ontem.
Pode estar certo de que vou enviar uma cópia desta reclamação ao Presidente do Banco de Portugal, o qual certamente lhe lembrará umas quantas obrigações que V.Exa tem para com ele de modo a não cair no conto do vigário e dar cabo minhas parcas poupanças...”

Thursday, June 30, 2005

Ajuda precisa-se para Portugal...

Enviaram-me um mail com esta citação de Eça de Queiroz, datada de 1871, com o título "Previsões".
Como é óbvio isto não era uma previsão para ele, era a constatação de um facto. O que é grave é que embora ele provávelmente não soubesse e nós sabemos agora, Portugal tornou-se mesmo nisto. E é o que somos agora, e a julgar pelos últimos 134 anos vamos continuar a ser. Que fazer? Alguém tem uma ideia?


"Estamos perdidos há muito tempo...
O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada.
Os caracteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na
inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e
tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte, o país está perdido!"

Wednesday, June 29, 2005

New work (3) by me

Untitled by IVC

New work (2) by me

Untitled by IVC

New work (1) by me

Untitled by IVC

"Partidas" por JVC (in Jornal de Tondela)


Na passada semana fui ao aeroporto da Portela, mais precisamente à área das chegadas. O sol já há muito que tinha ido visitar outras paragens e, porque agora há que respeitar outras regras, o movimento era reduzido sendo poucas as pessoas que por lá se encontravam. O espaço, grande e bem iluminado, não tresandava a humanidade como noutras alturas, noutros tempos.

Gosto de aeroportos! Partidas e chegadas com significado oposto algures numa outra parte da Terra, num outro aeroporto. Gosto mais das chegadas fruto de uma velha incompatibilização com as partidas, há muitas aventuras passadas, na idade em que ainda não sabia que a estrada dos dias indolentes e preguiçosos desembocava numa via rápida de traçado duvidoso, umas vezes suave outras não, em acelerada direcção ao desconhecido. Mas é de partidas que quero escrever e para tal transcrevo um texto da autoria de JCD e que foi publicado no seu blogue Jaquinzinhos:

“Imaginem um Francisco, quadro técnico de máxima qualidade, especialista no que quer que seja.
Não tem empresas, não recebe dividendos, não herdou, não tem aplicações financeiras de milhões, não é proprietário de imóveis, não acede ao private banking, não tem contas nas ilhas Caimão, não tem pais ricos e nunca foi a Gibraltar.
O Francisco entrega a sua declaração de IRS em Março. No recibo de vencimento pode ler-se o montante de 4300 euros mensais brutos, a que acresce subsídio de refeição (nota 4300 x 14 = 60 200).O Francisco é desejado por muitas empresas. O Dr. Ambrósio, o patrão do Francisco não o quer perder. Faz contas e decide premiar o esforço e a dedicação do seu melhor técnico, atribuindo ao pacote salarial do Francisco mais dez mil euros por ano.
O Francisco fica muito feliz, a empresa vai gastar mais 10.000 euros por ano com ele. Parece muito bom. Mas depois faz contas:a) Dez mil euros a dividir por 14 meses 714 euros/mês; b) Taxa social única suportada pela empresa: 136 euros/mês; c) Taxa social única suportada pela empresa mas atribuída ao Francisco: 64 euros/mês.; d) IRS marginal (escalão dos 42%): 234 euros/mês; e) imposto de selo: três euros. Sobram ao Francisco 269 euros/mês, que lhe permitirão adquirir 226 euros de produtos com IVA a 21 por cento. Feitas as contas, por cada 31,5 euros que receber a mais, tem que alimentar o Estado com 68,5 euros. É mais do dobro. Dos dez mil euros, nem sequer um terço é para premiar o Francisco.Conclusão o Francisco vai trabalhar para Espanha..."

Eu também começo a pensar que com a gasolina (muito) mais barata e com o IVA também (muito) mais baixo o melhor é, sem passar pelo aeroporto, ir passar por lá umas férias mais prolongadas e esquecer o ditado.

Tuesday, June 21, 2005

"Critica cultural" por JVC (in Jornal de Tondela)

Inspirado num grande sucesso de bilheteira brasileiro, centenas de jovens marginais, perdão jovens socialmente não integrados, de ascendência africana, estrearam em Portugal, no âmbito das comemorações de mais um dia de Portugal e das Comunidades, o espectáculo O Arrastão. Há vários anos que, na zona entre Algés e Cascais, se ensaiava esta peça mas só agora foi viável juntar um tão grande número de ladrões, perdão, de actores.

Levado à cena na praia de Carcavelos, em recinto superlotado, este primeiro espectáculo foi um êxito absoluto, tendo em conta a falta de publicidade que o antecedeu: abertura dos telejornais nacionais, capa dos principais jornais e referências elogiosas na imprensa internacional, como por exemplo na BBC, CNN, Folha de São Paulo, Washington Times, etc. Espera-se que muitos dos nossos potenciais visitantes estrangeiros não desistam de cá vir com base na esperança de também poderem ver este show nos seus próprios países.

Seguindo a via do espectáculo alternativo, no Arrastão há uma forte interacção entre o publico e os ladrões, perdão, os actores, o que nem sempre é bem compreendido pelos incautos, perdão, pelos espectadores menos bem formados e informados; tal facto pode dar origem a algumas cenas, sempre desagradáveis e condenáveis. Infelizmente foi o caso: houve alguns desacatos prontamente resolvidos pela intervenção da Polícia que, dada a falta de publicidade e de licenciamento do acontecimento, não estava presente desde o seu início. Alguns feridos de menor importância entre a assistência e pânico (injustificado) de famílias que teimam em levar crianças pequenas para espectáculos impróprios para as suas idades, merecem também breve referência. Há ainda notícias de pequenos incidentes causados por alguns dos ladrões, perdão, dos actores, que inebriados pelo êxito, se excederam no trajecto de volta ao recato dos seus lares. Nada que possa por em causa o excelente trabalho dessas centenas de ladrões, perdão, de profissionais.

Contudo, ao olho mais experiente do crítico, moi, não passaram despercebidas algumas falhas técnicas na execução da grande maioria dos ladrões, perdão, dos actores; falhas menores, dirão alguns; serão menores, sim senhor! Mas importantes! E exactamente por essas falhas serem menores é que, cada vez mais, os accionistas da escola a que eu pertenço – Portugal – entendem ser necessário alterar a (cruel, desumana e injustificada) legislação que impede o acesso destes jovens ladrões, perdão, actores, ao aperfeiçoamento profissional. Corrigir o (ainda pouco) que está mal e alargar o conhecimento é um bem consagrado na carta dos direitos humanos. Deles! Espera-se, deseja-se, quiçá exige-se, abertura das autoridades competentes para algumas (urgentes) mudanças na legislação em vigor.

Uma outra nota, noutro espaço cultural, de âmbito mais restrito, chega-nos ao conhecimento que o grupo cénico de um banco cá em Portugal (está, tem estado, estará???) a levar-nos em cena, um espectáculo musical em dó(i) baixinho, intitulado “6 anos? Reforma-se já...”. O elenco, de grande nível, promete qualidade e casa cheia. O publico está proibido de interagir com os hmmm... actores.

Wednesday, June 15, 2005

Comunistas....

Na fila para prestar homenagem a Álvaro Cunhal:
Pergunta do reporter: "O que o faz estar aqui hoje?"
Resposta do indivíduo:"É preciso perguntar? Olhe diga o Alberto João Jardim que ele foi parido do cu..." (interrompido pelo repórter, não sei porquê...)
Senhora acompanhando urna no mesmo funeral:
"O comunismo ainda há-de triunfar aqui como triunfou na União Soviética (??). Isto é so putas e drógados..."

Tuesday, June 14, 2005

"Concorrência? Não obrigado!" por JVC (in Jornal de Tondela)

Concorrência? Não obrigado!

A semana que passou foi barulhenta! Muito ruído, muita discussão, talvez a prova de que com o bom tempo, os calores de muita e boa gente entram em ebulição e zás, salta-lhes a tampa! Ele foi na França, na Holanda, na Itália, e por aí fora e por aqui dentro também. Agora que as comadres estão zangadas vai ser lindo. Ainda bem que a minha santa ignorância nunca me motivou a tentar nenhum cargo publico porque, agora, não queria estar na pele de quem vai (tentar) consertar o que parece estar a desmoronar.

A meu ver e na minha santa ignorância, muito deste barulho (cá e lá) deve-se a uma palavra: concorrência! E à reacção (alérgica) de muitos dos nossos maiores empresários privados, gente com sucesso e muita nota, quando são obrigados a conviver com ela.

Antes do 25 de Abril de 74, alguns grandes empresários, com enormes empresas e fortunas, viviam devidamente protegidos pelo regime. Esta situação de monopólio favorecia-os em prejuízo dos consumidores. Curiosamente (ou não), nos nossos novos parceiros lá de Leste, a coisa então não era muito diferente, embora como sempre me ensinaram, os regimes fossem ideologicamente opostos.

Depois do 25 e após algumas más e dolorosas experiências, o caminho da economia de mercado foi tomado e reforçado com a adesão à U.E, craindo-se as condições para que, todos os que acreditavam na iniciativa privada pudessem, através do seu engenho e trabalho, contribuir para a melhoria das suas vidas e do bem estar das comunidades.

E hoje, o que temos? Temos muitos novos pequenos e médios empresários; temos alguns grandes grupos económicos, novos e velhos empresários que, com as suas carreiras de sucesso souberam construir grandes empresas, também elas de sucesso. Um bom exemplo de iniciativa privada! Mas, serão mesmo um bom exemplo? Hummm, desconfio!

E desconfio, porque um senhor que é, individualmente, um dos maiores accionistas de vários dos maiores grupos privados cá da nossa praça, também com vastos e privados interesses lá nas Américas, no sector do petróleo (ora aqui está um sector onde eu podia arranjar um tacho mesmo não percebendo nada do assunto), vociferava há uns tempos, em entrevista escrita, contra o facto de um organismo regulador da concorrência insistir em cumprir a sua missão (baixar os preços cobrados aos clientes) não se preocupando com os efeitos negativos que essas medidas (para fomentar a concorrência não nos esqueçamos) poderiam causar numa das suas empresas. Elucidativo! Comentários dos seus pares? Nã!

É este o exemplo de alguém que, supostamente, defende as liberdades individuais frente ao poder do Estado e oportunidades iguais para todos?. Afinal parece que pouco mudou ...

Wednesday, June 08, 2005

My fridge


Dilemma
Originally uploaded by Big Mamma Costa.
My confusing fridge and my everyday dilemma: what to cook for dinner.
(for anybody who sees this: yes I know I don't need to keep Marmite in the fridge but it often ends up there thanks to my absentminded maid)

Monday, June 06, 2005

Árvores


My recent tree painting
Originally uploaded by Big Mamma Costa.
Um dos meus útlimos quadros testando o efeito pendurado no meu quarto. Hummm... Ainda não consegui fazer um com que ficasse cem por cento satisfeita. Há que continuar...