Friday, January 27, 2006

"O Emplastro" por JVC (Jornal de Tondela)




Fui destacado para, em representação de vários órgãos de comunicação social, fazer a cobertura da conferência que, se calhar, vai ter lugar na capital do Irão, em data a anunciar e cujo tema é “Você também é parvo e acredita mesmo que houve o holocausto?”. O autor da ideia foi o “emplastro” que é, agora, o presidente da republica lá do sitio. Como sabem (ou deviam saber) o emplastro é um espertíssimo adepto do FCP, como eu, que está sempre a chamar a atenção para a sua pessoa aproveitando as reportagens em directo das televisões. O que já não sabiam (nem deviam) era que ele, o emplastro, farto da pequenez do nosso burgo, botou dentadura nova, partiu em direcção ao Oriente e, tendo olho em terra de ceguinhos, logo foi eleito, não rei mas presidente. Quem tiver dúvidas compare as respectivas fotografias. O mundo deve esta importante descoberta ao meu filho mais velho, moço que anda em ciências políticas, emplastros é o que eles mais estudam.

Não esperava muitas dificuldades na obtenção da autorização de entrada dada a afinidade clubista que me une ao emplastro mas, precavido e português como sou, nunca deixo para amanhã o que tive que fazer anteontem nem recorro ás cunhas e, vai daí, comecei logo a tratar das formalidades para a obtenção dos documentos necessários.

Através do jornal 24 Horas acedi ao número do telefone do organismo que trata desses assuntos e, num instante, tinha a lista completa. Publicidade à parte, digo-vos que é muito mais rápida e fácil a consulta através deste jornal do que pelas listas telefónicas da PT ou mesmo das míticas páginas amarelas. Além de que o jornal é mais leve, não ocupa tanto espaço e, muito mais importante, tem os números actualizados. A única vantagem para a PT é que, com as listas e como prémio, ela dá-nos, uma assinatura, paga, para a vida. Aviso já que a frase anterior, embora não tenha asteriscos, como aliás a lei exige, contém informação que pode ser interpretada de uma maneira ou de outra, consoante se é um funcionário da dita empresa, uma ave palmípede vulgarmente designada por pato, um jornalista ou um funcionário de alguma procuradoria perto de si.

Voltando à lista, acho que, afinal, lá vou ter que meter uma cunha porque estou com alguma dificuldade em reunir os requisitos base exigidos pelos iranianos, que me parecem estar quase, quase, no limiar dos abusos dos meus direitos individuais. Na primeira triagem, feita por telefone, quando chegou ao nome dos meus antepassados e lhe atirei com o bisavô Ezequiel, o senhor das barbas e com a bisavó Umbelina, o homem ia-se passando. Ó amigo, diz-me ele num português perfeito, f qualquer coisa, eu não estou aqui para reinar, deixe-se de graças e repita lá os nomes como deve ser. Inventei e menti! O pior vai ser quando o tipo receber a minha fotografia e vir o meu nariz, que alguns teimam em dizer que é adunco, coisa que é absolutamente mentira, isto não tem nada a ver com os genes, é do vento.

Se não receber a autorização até ao próximo mês de Junho, viajo para a Alemanha com a nossa selecção de futebol, o emplastro de certeza que há-de querer ir e aí aproveito e meto a tal cunha. O meu receio, o meu grande pavor, é que, daqui até lá, todos os pacifistas – os nacionais, os europeus, os americanos e os asiáticos – puxem dos seus protestos e mobilização mediática, como fazem contra o fascista do presidente dos “states” e, não percebendo a mensagem de paz e de diálogo subjacente à conferência, comecem a protestar contra este emplastro e então lá se vai o meu passeio e a minha tranquilidade.

Saturday, January 14, 2006

10 JANUARY 1981-2006 JANUARY 10

25 YEARS



o ramo de 24 rosas ( a 25ª era eu...)que o João me deu no nosso
25º aniversário de casamento!

ADOREI!!!!!

Friday, December 30, 2005

"Conso(l)ado" por JVC (Jornal de Tondela)



É véspera de Natal e aqui estou eu, só, sentado em frente à lareira na casa dos meus Pais, o computador nos joelhos a escrever este texto. Ouço vozes lá para os lados da cozinha, misturadas com o som dos tachos, das panelas e dos talheres a baterem qualquer coisa, presumo que estejam a bater os ovos para fazer rabanadas, aqueles doces de pão molhado de que alguém gosta muito.

A chama da lareira de vez em quando vai-se abaixo e eu tenho que chamar o meu Pai para ele por lá mais umas cavacas senão daqui a um bocado fico cheio de frio. Não é maldade minha, antes pelo contrário, é a melhor maneira de o tirar da cozinha e o livrar do trabalho de descascar as batatas para o cozido de logo. Se vissem a alegria dele quando eu o chamo compreenderiam a sua satisfação. A vida é isto mesmo, eu coço as costas dele e ele coça as minhas. Quando depois do almoço fomos obrigados a tirar as cascas às castanhas com que se vai rechear o perú que amanhã vamos comer ao almoço, estranhamente ele recebeu um telefonema de um amigo que durou mais de três quartos de hora e que só acabou quando também se acabaram as castanhas. A mim é que ninguém telefona nestas alturas. Curiosamente, logo a seguir recebeu a visita de um irmão e, como manda a boa educação, lá foram os dois para a sala. Tendo eu recebido a mesma educação, não tive outro remédio e lá fui fazer-lhes companhia o que parece ter provocado algum alvoroço. É claro que ninguém leva em conta o facto de eu, hoje, já ter feito a minha cama, com grave prejuízo da minha futura hérnia que me vai doer por causa desse esforço.

Das vozes que ouço, sobressai a da minha Mãe. Quem é vivo sempre aparece, quem é vivo sempre aparece, ouço-a dizer. Ou me descobriram ou chegou alguma visita. Arrisquei-me e fui lá ver. Não era ninguém; apenas tinha encontrado, na máquina de lavar louça, uma taça de que andava, desesperada, à procura. Esta mulher cansa-me! Tenho quase um quarto de século a menos que ela e já não tenho forças para fazer metade do que ela faz. Desde que se levanta até que se deita, o turbo funciona sempre a todo o gás. Quando, daqui e trinta e tal anos, se lhe acabar a genica, vamos morrer de fome. Nem é bom pensar nisso. Agora que voltou à escola e está a aprender inglês até já dá valor às férias e, como ela diz, que bom que é não ter trabalhos de casa para fazer.

O meu Pai acaba de chegar com mais um braçado de lenha; digo-lhe que parece cansado. Pudera, responde, ainda não parei, mas já disse à tua Mãe que, para o ano, não se faz nada cá em casa e que se encomenda tudo de fora. Querias, penso eu, mas não me atrevo a desenganá-lo!

Parece que vou ter que interromper porque alguém tem que levar o lixo lá fora e, não tarda nada, temos que nos vestir para o jantar. Não é que estejamos nus, mas nesta noite especial, cá em casa os homens vestem-se a rigor, de fato e gravata e as mulheres esmeram-se ainda mais do que o costume. Afinal, a noite da consoada é muito especial e como tal, a Família, porque é dela a noite, deve celebrá-la a preceito...

Tuesday, December 20, 2005

Xmas forever!


Snoozing Santa
Originally uploaded by TheLizardQueen.

I know it's tiring but I LOVE IT!!!!

MERRY CHRISTMAS EVERYBODY!!!

Wednesday, December 07, 2005

"Forget painting, Turner Prize is awarded to an old boatshed"


Simon Starling's winning Shedboadshed

(By Nigel Reynolds, Arts Correspondent of The Telegraph(Filed: 06/12/2005) )

"Evidently nobody told the judges that painting was supposed to be back in fashion.
The Turner Prize, sometimes known as the Emperor's New Clothes Prize, was awarded last night to Simon Starling, a conceptualist whose installations are so odd and difficult to analyse that he is known on the art circuit as "the nutty professor".
His victory may at least do something to promote
the ancient craft of carpentry. Shedboatshed, one of the pieces he entered for the Turner Prize exhibition at Tate Britain, started life as a decrepit boathouse, which he found on the banks of the Rhine in Germany.
He bought and dismantled it, built a boat from some of its planks and loaded the remaining ones into the boat, which he then rowed to Basle in Switzerland, where he was having an exhibition. He dismantled the boat and faithfully rebuilt the boathouse and put it on display. ..."

Tuesday, November 29, 2005

"Desabafos" por JVC (Jornal de Tondela)


Originally uploaded by mariekefotografeert.


Desabafos

Brrrrrrr! Chegou o frio, mais a chuva, os dias estão cada vez mais tristes e pequenos e as árvores, ao som do vento, começaram o seu striptease anual, mostrando-nos, lentamente, os seus corpos, uns mais roliços que outros, num prolongado espectáculo a que vamos assistindo até próximo do final do ano. Nuas, as árvores vão ficar à espera que um novo ano lhes traga as roupas prometidas para a nova estação, mais bonitas e mais coloridas, como convém para nos voltarem a seduzir até que a natureza se canse e recomece tudo de novo. As ruas e os jardins agradecem as mantas de folhas com que as vestem para se aquecerem do frio e se protegerem da chuva, dos nossos pés ou, quem sabe, dos presentes que lhes dão os animais que, pela trela, passeiam os seus donos.

Neste jogo de equilíbrios que é o Mundo e para que ele se não vire, há sempre quem prefira esta época do ano, escura, fria e húmida, enquanto para outros ela é um calvário que se vai cumprindo a custo, na esperança ou na certeza, de que melhores dias virão.

Eu sou membro do clube dos apreciadores dos dias compridos e quentes. Inscrito há algum tempo nesta agremiação, renovo, com mais convicção a cada ano que passa, a minha quota, cumprindo religiosamente um dos principais rituais, a enumeração de propósitos prometidos e não cumpridos, antes eu não sabia bem como era, agora sim, vais ver, é só voltarem esses dias e, ai vais ver vais, podes apostar, podem apostar.

Nesta altura do ano, o frio vence-me tão facilmente e com tanta arrogância como os clubes que o Mourinho treina limpam os seus oponentes. É tiro e queda. Todas as manhãs é um gozo, para o frio, ver-me sair do quentinho da cama, soprar-me para os pés e atirar-me com água fria para as mãos e para a cara. As roupas que tiro do frigorífico esfregam-se-me no corpo com requintes de malvadez e, por muito que eu resista, insistem em ficar coladinhas. Quando penso que, finalmente, o pouco calor do meu corpo as aqueceu, descubro que há sempre uma parte do tecido das pernas das calças que ainda não me tinha dado os bons dias e, pimba, lá vem mais um arrepio. E quanto mais me arrepio mais frio tenho. A solução é andar esticadinho e muito direito como se tivesse engolido uma vassoura e tentar evitar esses indesejáveis contactos. Ah, como eu percebo o candidato Cavaco!

Quando não uso gravata e ando com o colarinho desapertado, o desavergonhado do frio enrola-se-me ao pescoço enquanto escorrega para dentro da camisa; curvo as costas e encolho os ombros, enterro a cabeça nas omoplatas, o queixo no colarinho e vou respirando ar quente em direcção ao umbigo. Cansado de frio, acabo por me sentar. A próxima vez que comprar calças, mando fazer as bainhas muito mais compridas, porque sentado direito não dá. As calças sobem para meio da canela e as meias são presa fácil para o malvado. Sobe pela perna e só não vai até aonde quer porque as minhas mãos já estão bem entaladas, mas quentinhas, entre as pernas. Ao fim de algum tempo começam a doer-me as costas, tenho que encontrar outra posição e a luta recomeça.
Quem me cá dera o calor!

Thursday, November 10, 2005

"Não empurrem, se faz favor!" por JVC (Jornal de Tondela)


1664
Originally uploaded by phil h.



“Orienta-me aí uns trocos, ó meu e empresta-me aí o telemóvel para mandar uma mensagem!”
Esta foi a frase que Angelo, nome fictício, um jovem português de origem africana, para aí uns catorze anos mal medidos, um metro e sessenta mais coisa menos coisa, usou naquele fim de tarde primaveril, para assaltar Ricardo, nome verdadeiro, dezoito louros anos bem medidos, um metro e noventa, mais ou menos. Na dança que se seguiu, Ricardo, obviamente curvado, mantinha Angelo à distância, a mão esquerda segurando-lhe a cabeça como se fosse uma bola de basquete, tentava que o puto se deixasse de tretas e se fosse embora; apesar de procurar acertar no corpo de Ricardo com os punhos, Angelo não conseguia aproximar-se dele. Ricardo, a duas centenas de metros da estação dos comboios, que estava à vista, já farto do pas de deux, disse ao miúdo: já estou atrasado, vou virar-te as costas e vou apanhar o comboio; se me chateares, dou-te uma sova! O miúdo, sempre a provocar, lá acabou por se ir embora.

Ricardo está habituado a este género de diálogos, desde os dez anos que convive, diariamente, com esta realidade, já “orientou” bastantes trocos, alguma roupa e um par de telemóveis, agora está farto, o corpanzil dá-lhe segurança, excepto quando sacam as facas, como lhe aconteceu este verão, no centro de Cascais, perto da marina. Está ele e estão os amigos.

Angelo, nome fictício, está tão habituado ao medo que a sua prosápia provoca nas suas vitimas que, desta vez, não mediu bem a sua presa; mas para ele, presas há muitas, a polícia nada lhe pode fazer, é assim a lei, se o apanham logo o têm que soltar, provocador e sarcástico, quantas mais vezes melhor, são mais umas façanhas para contar aos amigos.

Angelo é o retrato robot de uma certa juventude que a imprensa teima em proteger, como agora se vê com o que se passa em França. Para a imprensa, sempre politicamente correcta, como é a nossa RTP1, eles são jovens que se sentem marginalizados, discriminados, encafuados em guetos e tratados de maneira diferente por causa da cor da pele.

Para o Ricardo, para os amigos dele e para as vitimas destes incompreendidos, esta rapaziada, a que por cá anda e aquela que começou a Intifada em Paris, não é nada disso. O Ricardo, os amigos dele e as outras vitimas, já perceberam que é mais cómodo para a sociedade mandante e bem pensante, falar grosso para eles, para as vitimas, do que para os arruaceiros.

O Ricardo cresceu e a geração dele vai, um dia, mandar nos destinos deste país. E doutros países O Ricardo está numa via com dois sentidos. Uma, aquela que nas suas quase duas décadas de vida ele mais tem ouvido, a do diálogo, a da compreensão e do multiculturalismo e a outra, a que privilegia a força e a ordem. Por qual delas optará ele?

Eu, que conheço pessoalmente o Ricardo e os seus amigos, temo que a minha geração, as que me precederam e a que actualmente nos governa, os estejamos a empurrar para a pior das soluções. Os dados estão lançados!

Atenção pais!


Acabou-se o descanso (pelo menos no Reino Unido)!
Para aqueles pais que estavam na sua "fresca ribeira" gozando os poucos anos dos filhos em que não se tem que preocupar com o seu desempenho escolar, digam adeus.
Aparentemente no Reino Unido foi criado um curriculum "escolar" para os bébés dos 0 aos 36 meses. Todos os infantários terão de seguir este curriculum de agora em diante sendo sujeitos avaliações e inspecções regulares.

Citando a notícia:

" The curriculum will divide a baby's development into four broad areas: heads up, lookers and communicators; sitters, standers and explorers; movers, shakers and players; and walkers, talkers and pretenders.

There will be four aspects, each containing a check list of components: a strong child, a skilful communicator, a competent learner and a healthy child.

Competent learners must be able to make patterns, compare, categorise and clasify. They should be able to imitate, play imaginatively with all the senses, make their own symbols and marks and recognise that others might use them differently. "
Não gostaram do termo "competent learners"?
e mais adiante continua:

"...Inspectors will want to see if pupils are meeting the four components of "a healthy child", including being able to express "joy, sadness, frustration and fear, leading to the development of strategies to cope with new, challenging or stressful situations".


Para quando os exames nacionais?

Tuesday, November 08, 2005

França a arder...e o fogo pode alastrar...




Tudo parece tão claro quando dito por Mark Steyn

ou por José Manuel Fernandes:

"Na mesma noite em que dois jovens morreram electrocutados em circunstâncias que permanecem nebulosas (mas de que logo se responsabilizou a polícia), um homem de 50 anos era morto ao pontapé por delinquentes perante a passividade de dezenas de pessoas. O presidente da câmara local entendeu dever acorrer ao funeral dos jovens, mas ignorou o da vítima do banditismo. Este gesto contém uma clara mensagem política que valoriza a suspeição, não provada, sobre um eventual exagero da polícia, e desvaloriza o vandalismo mais bárbaro.

O imenso falhanço da "integração" reside exactamente nestes tipo de equívocos, nesta total confusão de valores. Se se aceita e justifica os que vivem desafiando a lei, acaba-se no caos. E se não se promovem os valores da tolerância e do trabalho, acaba-se na segregação. Pior só acrescentando um clima político inquinado, como aquele que a França vive."


por Pacheco Pereira no seu Abrupto analisando um artigo do jornal Libération:

"...a enorme rede de subsídios e financiamentos estatais típicos do “modelo social europeu”. O artigo cita a crise das acções de alfabetização, financiamentos do Fasild (antigo Fundo de Acção Social), acções de prevenção com adolescentes, programa de empregos-jovem, acções com mulheres, associações subsidiadas (o exemplo é uma intitulada Sable d’Or Mediterranée) que fazem acções de inserção, acolhimento dos recém emigrados, acesso à cultura, teatro de adultos, iniciação ao cinema, vários projectos artísticos e culturais, etc., etc.;

a enorme quantidade de pessoas que trabalha nestes programas, associações, ONGs, que são elas próprias um grupo de pressão para o aumento dos subsídios e o alargamento dos apoios estatais, e que, não é por acaso, aparecem nesta crise como as principais vozes “justificando” a “revolta dos jovens”;

e, por último, o enorme contraste entre o modo europeu de “receber” e integrar os emigrantes envolvendo-os em subsídios e apoios, centrado no estado e no orçamento, hoje naturalmente em crise; e o modo americano que vive acima de tudo do dinamismo da sociedade que lhes dá oportunidades de emprego e ascensão social."

Tudo parece tão claro, os erros foram e continuam a ser muitos, mas enquanto se continuar a tratar os causadores destes distúrbios como vítimas não vai haver saída para o problema e piores dias virão.

Monday, November 07, 2005

Thursday, October 27, 2005

Belos exemplares...

O que já temos....


e
o que nos espera se não
nos pomos a "pau"....




"Bloqueios" por JVC (Jornal de Tondela)


Originally uploaded by Oishi Kuranosuke.



O meu clube, o FCP, levou mais uma trepa monumental no fim de semana, tão grande, que no final do jogo o estádio do dragão mais parecia o santuário de Fátima, cheio de adeptos com lenços brancos, simbolizando talvez a necessidade de um milagre para conseguir umas vitórias ou apenas um instrumento de precaução para proteger a boca e evitar apanhar o vírus da gripe das aves, das águias neste caso. Desde que se recomeçou a falar desta possível gripe eu sabia que o meu clube era um dos mais expostos à epidemia porque o Pinto, que é o presidente, há muito que dava sinais de debilidade física. No mínimo! Naturalmente que o vírus das aves tinha que o apanhar. Bastava um, mas o portador, Maria Alice antes do jogo e Nuno Golos depois, achou por bem duplicar a coisa para o efeito ser mais doloroso. Attchimm ... Santinho! Obrigado.

Esta cena dos lencinhos repetiu-se noutro estádio mas aqui em Lisboa e embora me digam que esta é uma das formas dos adeptos mostrarem o seu desagrado aos treinadores e desejar-lhes uma boa viagem para o diabo que os carregue (não fora a malvada da dita gripe das aves, mandá-los-iam para as patas que os puseram), acho que este gesto colectivo de muitos dos meus compatriotas merece uma análise bem mais profunda e, quem melhor do que eu, especialista nas matérias, quaisquer que elas sejam, para o fazer?

Eu bem que gostava de não vos desapontar, mas a verdade é que são horas de mandar o trabalhinho para o meu patrão e apesar de já estar na vigésima segunda linha do texto continuo sem saber como fazer essa análise. Tenho dois neurónios, mas um está de greve por solidariedade com a justa luta do bicho da fruta e o outro está bloqueado, não sei o que lhe sucedeu hoje, coitado, até parece os nossos camionistas na fronteira com a Espanha. Só que os camionistas, eles sim são coitados, querem fazer o trabalho deles mas há pessoas, interesses e piquetes que não só os não deixam circular como até os ameaçam fisicamente, passando das palavras aos actos. Ao meu neurónio, a ele, não sei quem foi que o bloqueou! Vou precisar da ajuda de especialistas.

Por falar em especialistas na matéria, telefonei a um amigo meu do BE (Bloco de Esquerda) a perguntar-lhe se o chefe deles, o tele-evangelista Fr. Anacleto Louçã, ia alugar um autocarro, como ele e outros amigos dele fizeram há uns anos, para ir à fronteira de Vilar Formoso defender o direito ao trabalho dos nossos camionistas e refilar, marchar, protestar contra o bloqueio dos espanhóis, com as câmaras das nossas televisões atrás para registar prováveis tumultos e, a cereja em cima do bolo, agressões a deputados dum país soberano.

Que não senhor, que não está prevista nenhuma acção de protesto deste género, mas então tu não sabes, perguntou-me ele, quem é que está a patrulhar a fronteira do lado de lá? A Polícia, disse eu. Qual Polícia, qual carapuça, responde ele, são mas é os gajos dos piquetes pá, pois, e com esses a gente não se mete, estás a ver, é que com a bófia, a gente já sabe que se os gajos nos batem meio a medo, a nós não dói nada e depois eles é que se lixam, mas com os piquetes de greve, és maluco, vínhamos de lá feitos num oito e com um valente enxerto de porrada. Ouve lá João, continuou ele, mas tu alguma vez nos viste a protestar contra, quando podemos levar no coco à séria?

Friday, October 21, 2005

Ainda bem que não houve surpresas...

(Cartoon de Bandeira - Diário de Notícias 21-10-05)

E "olhó" nível! Que diferença de outras personagens! Boa sorte para ele e para nós!

Viva Mezzo!!!



Grande programa musical no serão da passada quarta-feira com o documentário sobre a gravação do CD Autour du Blues-Vol.2 só foi pena levar-nos a perder o princípio da habitual Quadratura do Círculo.

Sunday, October 16, 2005

"Que Rio Grande, Santa Bárbara!" por JVC (Jornal de Tondela)




Desde o fim da tarde de ontem que tem chovido com alguma abundância aqui onde moro. Depois de meses sem uma pinga de água, a ribeira que faz fronteira com a minha casa tem finalmente o caudal mínimo para fazer jus ao nome. Os manda chuvas prevêem, para os próximos dias, a continuação de fortes quedas de água acompanhadas de ventos fortes e, como hábito, há zonas deste concelho isaltinado, que vão sofrer as primeiras inundações.

Bem mais grave parece ser a situação no Porto onde, segundo os noticiários, há um enorme Rio, Rui de seu nome, a correr em paralelo com o Douro e a prometer continuar a causar prejuízos avultados nos alicerces de fortificações seculares, supostamente edificadas em terrenos seguros e inexpugnáveis, mas que afinal mostram já belíssimos sinais de erosão.

O técnico de serviço à previsão meteorológica nas eleições autárquicas na SIC (e no Expresso), de seu nome Oliveira e Costa, assegurava na sexta feira passada, sem margem para qualquer dúvida, que este Rio tinha perdido caudal e que, visse eu bem, corria até o risco de ser despromovido a um mero ribeiro, por obra ou milagre do santo de Assis. É o fim, pensei! O homem para estar a falar assim, com tanta convicção, só pode estar certo! Uma seca destas no país inteiro e mais um Rio que se vai. Corri a acender uma velinha mas devo ter-me enganado na reza porque quem me apareceu foi um tal de Pinto da Costa, ainda por cima a amaldiçoar as suas águas. Sete vezes cuspi e dezasseis me benzi, três dentes de alho e um dedo cortei e à espera do juízo final sentado fiquei.

E quando ele chegou, o juízo (a)final, acalmaram-se os ventos e a água deste Rio foi aumentando até se tornar absoluta. E eu descansei.

Consciente que teria de agradecer, logo que me fosse possível, aos deuses, tão grande graça, primeiro fui celebrar a casa do meu amigo Quim, aproveitando comemoração de mais um aniversário dele. No recato do meu lar, muitos cigarros e copos já passados, levo com um raio num sitio que nem vos digo e recebo a seguinte mensagem no telemóvel: “Acaso está a trovejar para tu te lembrares de mim??? Estás a reinar comigo ou estás-te a meter com o meu marido? Olha, sabes que mais, tu para mim vens de carrilho ...!”.

Saturday, October 08, 2005

Thursday, October 06, 2005

"O Fado" por JVC (Jornal de Tondela)



Hoje é domingo, dia de descanso e por isso há que fazer um esforço suplementar para nada fazer. Dá algum trabalho mas vale a pena chegar à noitinha, vestir o pijama em frente ao espelho e antevendo o que será o dia seguinte, essa segunda feira maldita, poder pensar com orgulho e peito feito, missão cumprida! Hoje, mais uma vez, consegui não fazer nada. A única nódoa a manchar este monumental dia de absoluto ripanço é esta crónica mas que apesar de tudo até acaba por realçar o prazer da preguiça.

E bem precisava deste descanso porque ontem fui aos fados e, claro, deitei-me tarde, bem fumado e bastante mal bebido. Mal bebido porque até parece que estava nalgum país sem videiras, tal o preço dos vinhos, tão caros que nem lata tenho para dar um exemplo. Mas já que insistem, fiquem a saber que pelo mesmo preço de um tintol de média qualidade, quase que pagam o almoço de quatro pessoas num restaurante aí da zona de Tondela onde já fui algumas vezes com os avós paternos dos meus filhos.

Felizmente só nos dá para ir a banhos na nossa cultura quando o rei faz anos, caso contrário já tinha tirado um curso acelerado de lavar pratos com letra protestada do meu banco e música do maestro da massa falida. Talvez por isso se explique que bastante mais de metade da clientela era estrangeira.

As vozes eram bastante boas e os músicos dedilhavam bem; um dos cantores, um juiz desembargador reformado, especialista em fados de Coimbra, lá nos pôs todos a cantar, afinal as terras do interior têm mais encantos quando a malta se pira e vai por aí fora, correndo mundo cá dentro. Deu-me a mim, e se calhar o todos os outros, uma nostalgia dos anos em que por lá estudei, mesmo não tendo frequentado nenhum estabelecimento de ensino por aquelas bandas.

Gosto mais do género do fado que o juiz canta, mas o repertório escolhido pelos que cantam o fado alfacinha também não esteve nada mal. As letras partem-nos o coração e versam os temas do costume, o meu amor, que eu amo tanto e que me passou ao lado e fez de conta que eu tinha escarlatina evitando qualquer contacto físico e assim atirando-me para uma cama de um hospital publico em dia de greve dos enfermeiros e doutores e outras coisas do género.


Mas a que mais me tocou mais foi aquela que nos conta a história duma desgraçadinha que andava, sossegadinha, no gamanço para dar de comer aos seus, um boneco nas mãos da justiça ou a justiça nas mãos da boneca, uns a querer mandá-la para o xelindró e os outros a quererem recompensá-la com umas férias prolongadas num pais tropical, abençoado e por Deus e bonito por natureza, por fim obrigada a fugir, uma mão à frente e a outra também, saudades do bacalhau com todos, finalmente o regresso auto imposto, arriscando tudo, conforto, dinheiro, jóias peles, o vergar a Lei, o perdão, os risos, as palmas, as luzes da ribalta, o sucesso, as câmaras!
O lancinante trinar das guitarras realçava o sofrimento vivido pela fadista de negro vestida, feito de esgares faciais, olhos fechados e virados para o céu, puxões bruscos e desesperados das mãos no xaile, qual corpo de um tacho imaginário, que com dolorosa saudade se precisa de segurar, acariciar e embalar.
Fosse o preço do tintol mais em conta e tinha afogado as mágoas. De vez!

Wednesday, September 28, 2005

Thursday, September 22, 2005

Uma razão para votar em Carrilho...

Ainda na cama esticar o braço e ligar o rádio para melhor (ou pior) acordar. Pérola da manhã de hoje:

Uma apoiante de Carrilho explica na Antena 1 o que a leva a apoiar Manuel Maria Carrilho: " ...pois a Barbara é uma mulher da comunicação social e uma mulher por trás de um homem é sempre uma grande mulher..."

Para quê tanto dilema a escolher os próximos autarcas que nos governarão quando tudo é tao simples...

Friday, September 16, 2005

"Alison Lapper Pregnant"



I relate to this critique by Richard Dorment (Telegraph 16-09-05) on the new statue to be on show for the next 18 months (luckily not for ever) in Trafalgar Square:

"...What you see at first sight is all there is to the work of art. It leaves no room for metaphor or allusion - nothing that the viewer can bring from his or her own experience that might enrich or change or deepen the meaning of the work...."

"...There is no possible response to this. It is not Miss Lapper whom Quinn has put on a pedestal in the heart of London, but political correctness. How smug and self-righteous he is. He knows full well that anyone who dares to criticise the statue will instantly be accused of prejudice against the disabled.

But to me it feels as though Quinn exploits people like Miss Lapper by focusing so entirely on her disability. In recent weeks she has been writing movingly about her life in various newspapers. Surely she would rather be known for her work as an artist and a writer than for Quinn's banal sculpture of her body.

Quinn isn't, as the politically correct expression has it, "celebrating difference" - he's advancing his own shoddy career."